Cidades
Júlio César “montado no Camelo” faz proselitismo político no Hospital Santa Rita, em Palmeira dos Índios
Ex-prefeito usa ato no Hospital Santa Rita como palanque, reaparece ao lado do deputado Sílvio Camelo e transforma habilitação de serviços de saúde em ensaio antecipado da disputa eleitoral de 2026 em Palmeira dos Índios
O ato que marcou a habilitação de novos serviços no Hospital Santa Rita acabou indo muito além da pauta institucional da saúde e ganhou contornos claros de proselitismo político em Palmeira dos Índios. Em cena, o ex-prefeito Júlio Cezar, agora circulando “montado no Camelo” — expressão que corre solta nos bastidores em referência direta ao deputado estadual Sílvio Camelo.
Durante a solenidade, Júlio César tentou capitalizar politicamente a habilitação do Santa Rita para atendimentos de maior complexidade, unidade de saúde que, no passado recente, foi utilizada por ele como cavalo de campanha na disputa pela Prefeitura de Palmeira dos Índios. À época, o então candidato afirmava publicamente que “para entrar no Santa Rita tinha que pagar, e para sair também”, prometendo resolver o problema e garantir atendimento digno à população. A promessa, no entanto, não foi cumprida durante sua gestão.
O avanço estrutural da saúde em Palmeira dos Índios ocorreu, de fato, a partir de uma política estadual de interiorização e ampliação da rede hospitalar, idealizada ainda no governo Renan Filho e consolidada na gestão do governador Paulo Dantas. Nesse contexto, o município passou a contar com duas unidades hospitalares: um hospital público estadual e o Santa Rita, gerido por associação privada, mas sustentado com recursos públicos.
Mesmo assim, Júlio César agora se apresenta como avalista da nova fase do Hospital Santa Rita, anunciando sua habilitação para demandas complexas. O que não foi esclarecido em momento algum é se a população continuará sendo cobrada para atendimento ou alta hospitalar — ponto sensível e que sempre gerou críticas e questionamentos por parte da sociedade palmeirense.

Nos bastidores, a leitura é clara: Júlio César passou a circular intensamente ao lado de Sílvio Camelo, tentando inserir artificialmente o deputado — tratado por críticos como um “paraquedista político” — no cenário local. Camelo, segundo essa avaliação, só aparece em Palmeira dos Índios de quatro em quatro anos, sempre em período eleitoral. Antes, vinha amparado pelo grupo Ribeiro Lima; agora, chega pelas mãos de Júlio César, que já se movimenta como pré-candidato a deputado federal em 2026.
Outro detalhe que chamou atenção no evento foi a ausência da prefeita Luísa Júlia, que não compareceu ao ato solene no Hospital Santa Rita. A gestão municipal foi representada por Pablo Forlán, apontado nos bastidores como homem de confiança e preposto político de Júlio César dentro da prefeitura.
Oficialmente, não houve explicação para a ausência da prefeita. Extraoficialmente, circula a informação de que Júlio César tenta se descolar da imagem de Luísa Júlia, diante do alto índice de rejeição que ambos enfrentam. Uma tarefa considerada difícil, já que suas trajetórias políticas seguem profundamente entrelaçadas aos olhos da população.
No fim das contas, o que deveria ser um anúncio técnico sobre a ampliação de serviços de saúde acabou se transformando em mais um capítulo da pré-campanha em Palmeira dos Índios, com discursos ensaiados, alianças oportunistas e o uso explícito de uma unidade hospitalar — financiada com dinheiro público — como palco para disputas e reposicionamentos políticos.
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