Empresas incorporam pets à rotina corporativa
Iniciativas consideram impactos na saúde emocional de cães, gatos e responsáveis
A presença de cães e gatos em escritórios deixou de ser exceção e passou a integrar a rotina de parte do setor corporativo. A cultura pet friendly, adotada por empresas no Brasil e em outros países, permite que colaboradores levem seus animais de estimação ao trabalho, dentro de critérios definidos. A medida surge em um contexto de mudanças na dinâmica familiar e profissional, marcado por períodos prolongados de permanência em casa e alterações posteriores no regime presencial.
Comportamentos associados à ansiedade de separação, como inquietação, vocalização frequente e dificuldade de relaxar na ausência do responsável, têm sido observados com maior recorrência em pets que passaram longos períodos acompanhados por quem cuida deles. A transição para rotinas externas intensificou a atenção de tutores e empresas para os impactos emocionais dessa mudança sobre cães e gatos.
Nesse cenário, a Royal Canin mantém política pet friendly implementada nos escritórios da Mars no Brasil desde 2012. A iniciativa permite que associados — como a empresa denomina seus colaboradores — levem seus pets ao ambiente corporativo, considerando efeitos sobre a saúde emocional dos animais e de seus responsáveis. A proposta também reforça a guarda responsável e estimula a discussão sobre ambientes de trabalho que contemplem a convivência com animais.
Leticia de Castro Melhado, Coordenadora de Trade Marketing da Royal Canin Brasil, está entre as associadas que utilizam a política. Ela costuma comparecer ao escritório acompanhada de seu spitz alemão, Panetone. “Não me sinto confortável em deixá-lo sozinho em casa. Trabalhar em uma empresa que permite que eu leve o meu pet me deixa mais tranquila para seguir com as minhas atividades diárias. Além disso, o Panetone é sempre muito bem recebido no escritório”, afirma.
Levantamento conduzido pelo Hospital Veterinário Banfield, nos Estados Unidos, em 2020, indicou que 91% dos colaboradores relataram diminuição do sentimento de culpa ao poder levar os animais ao trabalho, enquanto 93% perceberam redução do estresse. Sete em cada dez classificaram o impacto como extremamente positivo. Pesquisa realizada pela plataforma LiveCareer, com 1.065 pessoas em 2021, apontou associação entre presença de pets no ambiente profissional e percepção de maior integração entre equipes, além de avaliação mais favorável do equilíbrio entre vida pessoal e trabalho.
A explicação para parte desses resultados encontra respaldo em estudos conduzidos pelo Waltham Petcare Science Institute, centro de ciências da Mars Petcare. As pesquisas demonstram que a interação entre humanos e cães pode estimular a liberação de oxitocina em ambos. O hormônio está relacionado a vínculos de apego e a respostas fisiológicas associadas à redução do estresse, como alterações na frequência cardíaca e na pressão arterial em situações de tensão.
Na Royal Canin, a política foi estruturada com critérios definidos. Os escritórios estão aptos a receber gatos e cães ao longo da semana, sem limitação a dias específicos, desde que haja agendamento prévio e cumprimento de regras de convivência. Os animais devem ser sociáveis, estar com a vacinação em dia e permanecer sob supervisão constante de seus responsáveis. A organização do espaço busca evitar interferências na rotina de trabalho e assegurar condições adequadas para todos.
Para Juliana Gonçalves, Diretora de Recursos Humanos da Royal Canin Brasil, a prática integra a forma como a companhia estrutura suas ações internas. “Para nós, gatos e cães estão em primeiro lugar. Permitir que os associados tragam seus pets ao escritório contribui para um ambiente mais colaborativo e equilibrado, sempre com responsabilidade e foco no bem-estar de todos”, declara.
A política pet friendly está inserida em um conjunto de iniciativas voltadas ao suporte aos responsáveis, como licenças PETernidade e por luto do pet, concedidas em casos de aquisição, adoção ou falecimento do animal. Ao incorporar essas medidas, empresas ampliam o debate sobre o papel dos pets na rotina social e profissional, considerando impactos na saúde emocional, na produtividade e na relação entre pessoas e animais.
Mais lidas
-
1FENÔMENO NAS REDES
Procuradas 'vivas e fofas': zoológicos russos enfrentam filas para adquirir capivaras em meio à popularidade
-
2MEMÓRIA
Jaqueta de Dinho, dos Mamonas Assassinas, é encontrada intacta em exumação
-
3TRAGÉDIA
Vídeos de detetive flagrando traição foram o estopim para secretário matar os próprios filhos em Itumbiara
-
4TECNOLOGIA AERONÁUTICA
Empresa russa Rostec apresenta novo motor a pistão para aviação leve
-
5JUSTIÇA
Juíza natural de Palmeira dos Índios é convocada para atuar por seis meses no STJ em Brasília