"O Pastor e o Guerrilheiro": A importância da memória histórica e da preservação da democracia

24/04/2023 07h07
'O Pastor e o Guerrilheiro': A importância da memória histórica e da preservação da democracia


Durante um longo período de 21 anos, o Brasil foi governado por uma ditadura militar que ficou marcada pelo uso sistemático da violência e pela supressão dos direitos políticos e da liberdade de expressão. Ao longo dessas décadas sombrias, o país passou por cinco mandatos militares e presenciou a implantação de 16 atos institucionais que anulavam a Constituição Federal.

A repressão do regime foi brutal e implacável, com o uso de prisões arbitrárias, torturas, estupros e assassinatos perpetrados pelas forças militares e policiais, com o objetivo de silenciar qualquer forma de oposição. A censura foi imposta de forma rígida, abrangendo os meios de comunicação e a expressão artística e literária da população. Os direitos políticos foram suspensos desde o início desse período, resultando em uma grave violação dos direitos humanos e em uma marcante restrição das liberdades civis.

É nesse contexto histórico que se passa o drama "O Pastor e o Guerrilheiro", novo filme realizado por José Eduardo Belmonte e estrelado por Johnny Massaro, César Mello e Julia Dalavia, que continua em exibição nos cinemas brasileiros. A produção tem tido uma trajetória bem-sucedida em festivais internacionais e nacionais, trazendo à tona a dura realidade vivida durante a ditadura militar no Brasil.

Por conseguinte, principalmente por tratar-se de um tema tão relevante quanto os horrores da ditadura militar e a evolução da democracia brasileira desde então, a trama de "O Pastor e o Guerrilheiro" se desenrola ao longo das décadas de 1960, 1970 e nos últimos dias de 1999, na virada do milênio. Em 1968, o jovem comunista João abandona a universidade para se juntar a uma guerrilha na Amazônia, onde acaba sendo preso, torturado e enviado para uma prisão em Brasília. É lá que ele conhece Zaqueu, um cristão evangélico que foi preso por engano. Juntos, eles sofrem, superam suas diferenças ideológicas, se ajudam e marcam um encontro para 26 anos depois, à meia-noite, em cima da Torre de TV de Brasília.

Desde sua primeira grande exibição no Festival de Gramado, o filme tem chamado a atenção não apenas pela força de sua temática, mas também por estabelecer um diálogo com o Brasil contemporâneo, um país que não apenas se encontra dividido por ideias conflitantes, mas que também tem sua própria democracia ameaçada por grupos de extrema-direita.

Nesse sentido, a produção aborda um futuro que ainda não nos pertence, mas que pode ser um espaço para encontros diante da iminência de algo novo e desafiador, assim como foi a virada do milênio em si.

Aproveitando isso, a distribuidora A2 Filmes está realizando uma forte campanha de divulgação direcionada para diferentes grupos de público. Para tanto, a estratégia de marketing está focada em espectadores que são fãs do cinema nacional e jovens estudantes, bem como no público evangélico, que pode se sentir representado pelo personagem interpretado por César Mello.

Em vista disso, recentemente, a divulgação do filme recebeu um grande impulso na semana anterior ao lançamento, com a parceria estratégica com a Telecine, que concedeu espaço em seus canais e redes sociais para promover o longa-metragem. Além disso, os exibidores tiveram a oportunidade de assistir ao filme antecipadamente, o que contribuiu para a geração de buzz e expectativa em torno da obra.

Sobre a questão, Ronaldo Bettini Jr., diretor de novos negócios da A2 Filmes, destacou o desafio de trabalhar com os exibidores em um mercado com grande oferta em relação ao espaço disponível e concorrência acirrada. No entanto, a equipe da A2 Filmes reforçou a equipe de programação, mantendo uma presença ativa com informações sobre o produto por muitas semanas. A confiança da distribuidora no sucesso do filme é baseada no interesse positivo daqueles que já assistiram ao filme.

É importante destacar que a confiança na obra vem acompanhada de uma preocupação compartilhada e muito trabalho dos players brasileiros, especialmente os responsáveis por lançamentos nacionais, autorais ou independentes. O mercado para esses títulos ainda se recupera mais lentamente do que os blockbusters e em um ritmo diferente de outros territórios internacionais.

Enfim, o filme "O Pastor e o Guerrilheiro" é uma obra que merece ser assistida por diversos motivos. Em primeiro lugar, ele aborda um período importante e doloroso da história do Brasil, a ditadura militar, que durou 21 anos e deixou marcas profundas na sociedade brasileira. Ao retratar esse momento sombrio da história do país, o filme contribui para a reflexão sobre os acontecimentos ocorridos durante esse período, destacando a violência, a repressão, a censura e a violação dos direitos humanos que foram perpetuados pelo regime militar.

Além do que, o filme traz uma abordagem diferenciada ao explorar a história de um pastor e um guerrilheiro, personagens que representam diferentes lados do conflito vivido durante a ditadura. Essa abordagem multifacetada permite uma compreensão mais profunda e complexa dos acontecimentos da época, mostrando as diferentes perspectivas e motivações dos envolvidos.

Nessa lógica, a obra também é importante por trazer à tona a importância da memória histórica e da preservação da democracia. O Brasil ainda lida com as consequências desse período sombrio, e é fundamental conhecermos e discutirmos o passado para que possamos construir um futuro mais justo e igualitário.

Por todas essas razões, "O Pastor e o Guerrilheiro" é uma produção que vale a pena ser vista e discutida, tanto pelo seu valor artístico quanto pela sua relevância histórica e social.






*com informações do Portal Exibidor.