terça-feira, 22 de junho de 2021

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COBERTURA OSCAR 2021: Conheça os oito indicados ao Oscar de Melhor Filme

Em um ano em que as salas de cinema precisaram fechar por causa da pandemia de covid-19, oito filmes que chegaram às nossas telas impressionaram suficientemente os eleitores da Academia para competir pelo maior prêmio de Hollywood: o Oscar de melhor filme. Os sucessos de bilheteria podem estar ausentes, mas uma variedade eclética de títulos integra a seleção: de uma esplêndida ode da Netflix à Era de Ouro de Hollywood a um pequeno drama independente sobre imigrantes coreanos que ganham a vida em zonas rurais dos Estados Unidos.

Confira a seguir os oito filmes que disputam o prêmio principal da Academia de Artes e Ciências de Hollywood, no próximo domingo (25).

‘‘Meu Pai’’ (2020), de Florian Zeller.

Protagonizado por Anthony Hopkins e adaptado pelo dramaturgo francês Florian Zeller de sua própria peça teatral, “Meu Pai” leva os espectadores a uma viagem assustadora pela demência. O filme é ambientado em um apartamento londrino, onde o doente e obstinado pai Anthony (Hopkins) demite seu último cuidador, obrigando a filha, Anne (Olivia Colman) a procurar um substituto antes de ir para Paris. Elogiado em sua estreia no festival de Sundance, em janeiro de 2020, o filme ganhou muitos admiradores, em particular pela atuação de Hopkins, embora não seja considerado um dos favoritos ao prêmio.

Elenco: Anthony Hopkins, Olivia Colman, Mark Gatiss, Imogen Poots, Rufus Sewell e Olivia Williams.

Indicações: Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Edição e Melhor Design de Produção.

 

‘‘Mank’’ (2020), de David Fincher.

Nenhum filme tem mais indicações ao Oscar este ano do que “Mank”, de David Fincher, um drama em preto e branco financiado pela Netflix que dramatiza, e em boa medida romanceia, a realização do filme “Cidadão Kane”. Concebido como uma ode regada a álcool à Idade de Ouro de Hollywood, o filme apresenta quem é quem dos titãs do cinema da época, incluindo David O. Selznick, Louis B. Mayer e o próprio criador do filme, Orson Welles. A narrativa se concentra no veterano roteirista Herman Mankiewicz (Gary Oldman), enquanto escreve o que para muitos se tornará o melhor filme de todos os tempos, enfrentando os barões dos estúdios e políticos corruptos. Apesar de sua grande aceitação e das credenciais genuínas, “Mank” divide amargamente críticos e eleitores, e suas esperanças poderiam seguir o caminho de Rosebud (última palavra proferida por Kane, e que aparece impressa em um trenó de sua infância consumido pelas chamas).

Elenco: Gary Oldman, Amanda Seyfried, Lily Collins, Arliss Howard, Tom Pelphrey, Sam Thoughton, Ferdinand Kingsley, Tuppence Middleton, Joseph Cross, Jamie McShane, Toby Leonard Moore, Monika Grossman com Charles como William Randolph Hearst e Tom Burke como Orson Welles.

Indicações: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Figurino, Melhor Trilha Sonora, Melhor Som, Melhor Cabelo e Maquiagem, Melhor Fotografia e Melhor Design de Produção.

 

‘‘Nomadland’’ (2020), de Chloé Zhao.

É raro que um filme domine os festivais e continue sendo o favorito indiscutível meses depois no Oscar, mas “Nomadland”, de Chloé Zhao, ainda não fraquejou nesta temporada de premiações. Mistura atrevida de “road movie”, faroeste, drama e documentário, “Nomadland” descreve uma comunidade de americanos idosos que vivem fora do sistema em furgões deteriorados após perderem tudo na crise financeira global. O elenco, que inclui vários “nômades” da vida real, interpretando versões de si próprios, é protagonizado por Frances McDormand, que ajudou a dar vida ao filme como uma de suas produtoras. Poucos analistas consideram que outro filme será capaz de evitar que “Nomadland” leve o Oscar de melhor filme, assim como estatuetas em várias outras categorias em que é indicado.

Elenco: Frances McDormand, David Strathairn, Linda May, Bob Wells, Peter Spears e Tay Strathairn.

Indicações: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Atriz, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia e Melhor Edição.

 

 

‘‘Minari’’ (2020), de Lee Isaac Chung.

O diretor coreano-americano Lee Isaac Chung estava prestes a abandonar a carreira cinematográfica para se dedicar ao magistério quando filmou “Minari”, baseado em sua própria infância. Filmado em inglês e em coreano, “Minari” é, em muitos sentidos, uma história americana: imigrantes que tentam abrir espaço, neste caso cultivando verduras coreanas no Arkansas dos anos 1980. O filme — que reúne atores dos dois lados do Pacífico, incluindo o astro de “The Walking Dead” Steven Yeun e a veterana atriz sul-coreana Youn Yuh-Jung — se concentra nas relações familiares no lugar de questões de raça ou etnia. Quase universalmente admirado, é possivelmente o filme que gera menos divisões entre os indicados ao melhor filme e poderia ser um vencedor inesperado graças ao sistema de votação preferencial e classificado, usado pela Academia.

Elenco: Steven Yeun, Han Ye-ri, Youn Yuh-Jung, Will Paton, Alan Kim, Noel Kate, Scott Haze, Darryl e Esther Moon.

Indicações: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Roteiro Original e Melhor Trilha Sonora.

 

“O Som do Silêncio’’ (2020), de Darius Marder.

A campanha de prêmios para “O Som do Silêncio” vem sendo concebida há tempos: o filme estreou no festival de Toronto em 2019 e gradativamente gerou um boca a boca que lhe rendeu seis indicações. Isso já é por si só impressionante para um filme independente de baixo orçamento sobre um tema fora de moda e potencialmente deprimente: Ruben, um baterista (Riz Ahmed) sofre com a perda da audição enquanto luta contra a dependência química. Ruben faz malabarismos entre o desejo de recuperar a audição com os custosos implantes e a paz que encontra em sua nova comunidade de surdos. Entre os filmes que têm menos chances de ganhar o Oscar de melhor filme, “O Som do SIlêncio” atraiu atenção significativa da comunidade de deficientes auditivos e poderia ganhar nas categorias técnicas, inclusive som.

Elenco: Riz Ahmed, Olivia Cooke, Paul Raci, Lauren Ridloff e Mathieu Amalric.

Indicações: Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Roteiro Original, Melhor Som e Melhor Edição.

 

‘‘Os 7 de Chicago’’ (2020), de Aaron Sorkin.

Com uma conjunção espetacular de elenco, diretor-roteirista e lançamento oportuno durante os protestos multitudinários que antecederam as polarizadas eleições presidenciais de 2020 nos Estados Unidos, não há dúvidas sobre as credenciais deste filme para faturar o Oscar. Steven Spielberg pediu a Aaron Sorkin que escrevesse um roteiro sobre os protestos contra a guerra do Vietnã em 1968 que sacudiram Chicago, a violência policial que provocaram e o estranho julgamento que se seguiu. Por fim, Sorkin, criador da série “The West Wing”, também assumiu a função de diretor e incorporou grandes figuras como Mark Rylance e Frank Langella junto com bons atores mais jovens, como Sacha Baron Cohen e Eddie Redmayne. Se algum filme é capaz de desbancar “Nomadland”, “Os 7 de Chicago” é o que tem mais chances, após levar o prestigioso prêmio do sindicato dos atores de Hollywood.

Elenco: Sacha Baron Cohen, Eddie Redmayne, Jeremy Strong, John Carroll Lynch, Yahya Abdul-Mateen II, Kelvin Harrinson Jr, Mark Rylance, Joseph Gordon-Levitt, J.C. MacKenzie, Alex Sharp, Noah Robbins, Danny Flaherty com Frank Langella e Michael Keaton.

Indicações: Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Roteiro Original, Melhor Canção Original, Melhor Fotografia e Melhor Edição.

 

“Bela Vingança’’ (2020), de Emerald Fennell.

Com sua trilha sonora pop, o colorido figurino rosado e uma diretora pouco conhecida, “Bela Vingança” é um filme atípico. Primeiro longa-metragem de Emerald Fennell, o filme narra às peripécias do abandono de Cassie (Carey Mulligan) da faculdade de medicina, enquanto planeja se vingar dos ex-colegas, responsáveis pelo estupro de sua melhor amiga. A fita tem cinco indicações e pode ser o vencedor inesperado da estatueta de melhor filme, embora o sistema de votação único da categoria tenda a não favorecer títulos polarizantes.

Elenco: Carey Mulligan, Bo Burnham, Alison Brie, Clancy Brown, Jennifer Coolidge, Connie Britton, Laverne Cox, Adam Brody, Max Greenfield, Christopher Mintz-Plasse, Sam Richardson, Molly Shannon, Angela Zhou e Alfred Molina.

Indicações: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Atriz, Melhor Roteiro Original e Melhor Edição

 

‘‘Judas e o Messias Negro’’ (2020), de Shaka King.

Em um ano com várias produções dirigidas e interpretadas por afrodescendentes, “Judas e o Messias Negro” foi o único filme que chegou à lista dos melhores da Academia. Em uma guinada do filme biográfico tradicional, o longa conta a metade da história de Fred Hampton (Daniel Kaluuya), o líder assassinado dos Panteras Negras, pela perspectiva de William O’Neal (Lakeith Stanfield), o informante do FBI que o traiu. Produzido por Ryan Coogler, diretor do filme de super-heróis da Marvel “Pantera Negra”, a fita é ambientada na Chicago da década de 1960 e narra os esforços de Hampton para impulsionar os ativistas contra a violência policial. Último a entrar na corrida do Oscar, pois estreou para a crítica em fevereiro, o filme causou sensação com seis indicações, embora não seja uma aposta certa.

Elenco: Daniel Kaluuya, Lakeith Stanfield, Jess Pleamons, Dominic Fishback, Ashton Sanders, Algee Smith e Martin Sheen.

Indicações: Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante (Kaluuya e Stanfield), Melhor Roteiro Original, Melhor Canção Original e Melhor Fotografia.

* Baseado em informações da AFP.

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