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Neste domingo, o Brasil escolhe muito mais que um presidente

Izael Ribeiro 24/10/2026

Neste domingo (25) voltamos às urnas para o segundo turno da eleição presidencial para escolhermos não somente quem vai governar, mas as prioridades do país, quem terá acesso às oportunidades e quais condições de vida serão oferecidas à população. Vamos escolher entre a inclusão, democracia e soberania ou retrocessos, fim de programas sociais, sucateamento de serviços e submissão externa.

Programas sociais são instrumentos de transformação capazes de romper ciclos de pobreza e permitir que milhões de pessoas estudem, alimentem suas famílias, conquistem uma moradia e construam uma profissão. Nem de longe são favores de governantes, mas ações que podem mudar o presente e abrir caminhos para o futuro, dando condições de caminhar com as próprias pernas na busca por uma vida digna.

Uma criança que tem o que comer aprende melhor, um jovem que consegue permanecer na escola tem mais chances de chegar à universidade, uma família que conquista sua casa ganha segurança para planejar o futuro. Essas ações são fruto de políticas públicas e de decisões políticas que colocam as necessidades da população entre as prioridades do Estado.

Nada disso significa que o poder público deva substituir o trabalho ou o esforço individual, ao contrário do quem prega o fim de políticas voltadas aos mais pobres, mas, sim, reconhecer que ninguém disputa uma corrida em condições iguais quando alguns largam com todas as oportunidades e outros precisam vencer a fome, a falta de moradia e a ausência de serviços básicos.

É por isso que as políticas sociais importam mesmo não garantindo todos os resultados. Quando o Estado assegura direitos básicos, não determina o destino de ninguém: amplia as possibilidades de cada pessoa construir sua própria história.

Na hora de votar, é preciso desconfiar de discursos que tratam os investimentos sociais como desperdício. O dinheiro público deve ser fiscalizado, os programas precisam ser aperfeiçoados e fraudes, quando houver, combatidas, mas sem retirar direitos de quem mais precisa, porque responsabilidade na gestão não pode ser sinônimo de abandono social.

Também é necessário avaliar o histórico de quem está disputa, quais foram suas prioridades, que decisões tomou sobre educação, saúde, moradia e renda. Se defendeu a ampliação de oportunidades ou contribuiu para restringi-las. É nas decisões concretas que se revelam os compromissos de um projeto político.

Direitos são conquistas coletivas, fruto de luta e sustentadas por decisões políticas e, por isso, precisam ser defendidos, aperfeiçoados e estendidos a quem ainda não tem acesso a eles. Por direitos, entram no rol nossa soberania, a decisão sobre o uso de nossas terras raras e de toda e qualquer escolha que nosso povo queira tomar.

Votar com consciência é entender que a política influencia a possibilidade de uma criança estudar, de uma família se alimentar e de um trabalhador construir uma vida com mais segurança e dignidade. O resultado das urnas sempre chega à mesa das famílias, às salas de aula e aos locais de trabalho.

No fim, decidiremos sobre o país que queremos construir, se será um lugar onde a origem social determine o destino ou uma sociedade que ofereça oportunidades para que cada pessoa possa avançar. Se essas portas continuarão abertas para as próximas gerações ou não.

Izael Ribeiro é presidente do Sinteal