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Envelhecimento da frota e a importância das peças remanufaturadas para a segurança viária

Guilherme Porazza 22/04/2026
Envelhecimento da frota e a importância das peças remanufaturadas para a segurança viária
Guilherme Porazza Dias, Local Field Manager de Mobilidade da TÜV Rheinland do Brasil - Foto: Arquivo / Reprodução

O envelhecimento da frota brasileira de veículos de passeio e pesados reforça a importância do setor de autopeças para garantir que automóveis, caminhões e ônibus trafeguem sem problemas e ofereçam segurança aos condutores, passageiros, outros veículos e pedestres. 

Segundo dados do Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores), em 2024 a idade média da frota de automóveis era de 11 anos e 7 meses, dez anos antes era de 8 anos e 7 meses. No mesmo período de análise, a idade média dos comerciais leves, ônibus e caminhões também subiu. No caso dos comerciais leves passou de 7 anos para 8 anos e 9 meses, dos ônibus subiu de 8 anos e 9 meses para 11 anos e 3 meses e dos caminhões passou de 9 anos e 6 meses para 12 anos e 2 meses. 

O envelhecimento da frota como um todo é consequência do aumento no preço dos veículos novos, que além dos custos produtivos maiores também passaram a agregar mais itens de segurança obrigatórios e tecnologia para gerar menos emissões e oferecer mais comodidade ao condutor e aos passageiros. 

Ao considerar que a idade média das frotas de automóveis, ônibus e caminhões é superior a 10 anos, aumenta a importância dos proprietários e responsáveis pelo gerenciamento da frota estarem atentos à manutenção dos veículos, o que por consequência aumenta a demanda por peças de reposição. Segundo a consultoria McKinsey & Company, o mercado de aftermarket deve crescer no Brasil e movimentar US$ 25 bilhões em 2040, puxado não apenas pelo envelhecimento da frota, mas também pela quantidade cada vez maior de peças usadas para se montar um veículo. 

A questão econômica sempre teve muita importância quando o proprietário precisa fazer a manutenção do veículo e escolher uma autopeça, principalmente se for um veículo com alguns anos de uso e que muitas vezes foi escolhido por “caber no bolso” do proprietário. Este cenário tem feito com que as peças remanufaturadas ganhem espaço no mercado de reposição ao equilibrar custo e qualidade. 

Diferente das autopeças recondicionadas que quebraram ou apresentaram defeitos ao longo da vida útil e passam por reparos apenas nas partes defeituosas e têm uma vida útil mais curta. As peças remanufaturadas passam por um processo de reindustrialização feita pelo próprio fabricante ou por um estabelecimento autorizado e os componentes desgastados são substituídos por novos ou recuperados.

Para garantir a qualidade das peças a remanufatura precisa ser feita em fábricas que possuem a certificação IATF 16949, norma internacional que tem o objetivo de aumentar a qualidade das peças e serviços entregues às montadoras e otimizar a qualidade do processo produtivo e que especifica os requisitos para alcançar e manter o reconhecimento da International Automotive Task Force  (Força Tarefa Automotiva Internacional, em português), e a Certificação de Remanufaturados do Instituto de Qualidade Automotiva (IQA), que atesta que os componentes reconstruídos por fabricantes originais possuem qualidade, desempenho e garantia equivalente às peças novas. 

Após a reforma a peça remanufaturada precisa passar por testes de qualidade para garantir que o produto retorne ao mercado com excelentes condições de uso e atenda aos mesmos padrões de qualidade e durabilidade de um produto novo. Atualmente, as peças remanufaturadas podem ser encontradas em concessionárias e até em lojas oficiais das montadoras em plataformas de marketplace, o que aumenta a segurança na hora do consumidor adquirir um produto.  

Além do benefício financeiro já que custam entre 20% a 30% menos do que uma peça nova, as autopeças remanufaturadas também são mais sustentáveis e segundo o Sindipeças, a remanufatura reduz em até 95% o consumo de energia no processo fabril e o consumo de matéria-prima em comparação ao processo para fabricar uma peça nova, o que está em compliance com os objetivos das montadoras de aumentar a economia circular e reduzir o impacto ambiental de suas atividades.