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Conflito no Oriente Médio pode pressionar custos no mercado pet brasileiro
Conflitos geopolíticos raramente parecem relevantes para o varejo pet à primeira vista. No entanto, tensões recentes no Oriente Médio têm potencial para gerar efeitos indiretos importantes em diversos setores da economia global, incluindo o mercado pet brasileiro. Embora o setor não tenha relação direta com o conflito, ele depende fortemente de fatores macroeconômicos como logística, energia e cadeias internacionais de suprimento. Isso ganha ainda mais relevância diante do tamanho do segmento. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet) e o Instituto Pet Brasil, o mercado pet brasileiro movimentou cerca de R$ 75,4 bilhões em 2024, consolidando o país entre os maiores mercados do mundo, se estendendo para a projeção de R$ 77,2 bilhões em 2025.
Um dos primeiros impactos de crises no Oriente Médio costuma aparecer no preço da energia e dos combustíveis. De acordo com análises da Agência Internacional de Energia (IEA), instabilidades na região frequentemente pressionam o valor do petróleo no mercado global, com reflexos diretos sobre o custo do transporte. No Brasil, onde a logística depende majoritariamente do transporte rodoviário, qualquer aumento relevante nesse custo tende a se espalhar rapidamente pela cadeia de distribuição. Segundo dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT), o transporte rodoviário responde por cerca de 65% da movimentação de cargas no Brasil, evidenciando a forte dependência logística desse modal no país.
Para o mercado pet, isso pode significar encarecimento gradual de produtos como rações, granulados higiênicos, tapetes higiênicos, acessórios e itens de higiene. Praticamente todo o abastecimento das lojas depende de transporte rodoviário e de uma cadeia logística constante. Além disso, segundo a Abinpet, o segmento de alimentação animal representa mais da metade do faturamento da indústria pet no Brasil, o que evidencia a importância de uma estrutura logística eficiente para manter o abastecimento do mercado.
Outro fator relevante é a dependência de importações em diferentes categorias do setor. Uma parcela significativa de acessórios pet vendidos no Brasil é produzida em países asiáticos, especialmente China e Índia. Brinquedos, caminhas, coleiras e caixas de transporte percorrem milhares de quilômetros até chegar ao mercado brasileiro, geralmente por transporte marítimo. Em cenários de aumento do custo energético global, o frete internacional tende a subir, pressionando toda a cadeia de importação. A indústria farmacêutica veterinária também depende de princípios ativos produzidos em polos internacionais, o que amplia a exposição do setor a oscilações logísticas e cambiais.
Por outro lado, o impacto mais relevante pode não estar apenas nos custos, mas no comportamento do consumidor. O mercado pet costuma demonstrar resiliência mesmo em períodos de instabilidade econômica, impulsionado pela importância emocional que os animais de estimação ocupam nas famílias. Ainda assim, períodos inflacionários costumam alterar a forma como os consumidores organizam seus gastos, com maior sensibilidade a preços, substituição de marcas e redução de compras por impulso em categorias consideradas menos essenciais.
Esse cenário reforça um ponto importante para empresários do setor. Mesmo em um mercado que cresce de forma consistente, momentos de instabilidade global tendem a exigir gestão cada vez mais profissional. Empresas que possuem controle de custos, estratégia de preços e gestão eficiente de estoque conseguem reagir com mais rapidez às oscilações do mercado. Em muitos casos, são justamente os períodos de maior incerteza que acabam separando operações menos estruturadas de negócios preparados para crescer de forma sustentável.
*Ricardo de Oliveira é especialista em negócios pet e fundador da Fórmula Pet Shop, empresa referência em capacitação e consultoria estratégica para pet shops em todo o Brasil. Com mais de 10 anos de atuação no setor, Ricardo já acompanhou a inauguração de mais de 70 pet shops, orientando desde a escolha do ponto comercial até o mix de produtos, layout e estratégias de marketing. À frente da Fórmula, já capacitou mais de 8.700 empreendedores por meio de mentorias, treinamentos e consultorias, se consolidando como uma das principais vozes na profissionalização do varejo pet nacional. Sua experiência prática e visão de negócio ajudam empreendedores a saírem do amadorismo e construírem empresas lucrativas e sustentáveis.
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