Artigos

Soberania respiratória: Por que a produção local é uma questão de segurança nacional

J. A. Puppio 18/03/2026
Soberania respiratória: Por que a produção local é uma questão de segurança nacional

A história recente das cadeias globais de suprimentos nos ensinou uma lição dura, mas necessária: a dependência externa em setores críticos é uma vulnerabilidade que um país com as dimensões do Brasil não pode se dar ao luxo de ignorar. No centro dessa discussão, emerge a indústria de Equipamentos de Proteção Respiratória (EPR). Manter a Air Safety como a única fabricante de máscaras respiratórias de alta tecnologia em toda a América Latina não é apenas um marco de pioneirismo empresarial, mas um pilar fundamental da nossa soberania nacional.

Na verdade, a escassez traz lições, quando as fronteiras se fecharam e a demanda global por proteção disparou, o mundo assistiu a uma "corrida do ouro" por máscaras e filtros. Países que dependiam exclusivamente de importações ficaram à mercê de decisões geopolíticas e flutuações logísticas. Nesse cenário, ter uma produção verticalizada em solo brasileiro deixa de ser uma questão comercial para se tornar uma questão de segurança de Estado. A produção local garante que, independentemente do cenário internacional, nossos profissionais de saúde, bombeiros e trabalhadores da indústria não fiquem desassistidos.

Temos que pensar que além do produto produzimos tecnologia e independência. A importância de fabricar localmente vai além da entrega física do produto. Envolve o domínio do ciclo tecnológico — desde a engenharia de materiais até a certificação rigorosa. Ao produzirmos filtros e máscaras em nossa planta, retemos capital intelectual, geramos empregos qualificados e fomentamos um ecossistema de inovação que não pode ser replicado por simples revendedores de produtos estrangeiros. Ser o único fabricante na América Latina nos coloca em uma posição de liderança regional, transformando o Brasil em um polo exportador de segurança para nossos vizinhos.

Quando pensamos no papel do Estado e a indústria nacional lembramos que medidas recentes, como o realinhamento tarifário da Camex para bens de capital e informática, mostram que o país começa a entender a necessidade de proteger quem investe e produz aqui. No entanto, para a indústria de segurança respiratória, o apoio deve ser contínuo. Incentivar a produção local é garantir que o erário público e o setor privado invistam em soluções que permanecem no país, fortalecendo a nossa balança comercial e, acima de tudo, salvaguardando vidas brasileiras com tecnologia brasileira.

Como conclusão, sabemos que não podemos aceitar passivamente a desindustrialização de setores estratégicos. A existência da Air Safety é a prova de que temos competência técnica para competir globalmente. Zelar pela produção local de máscaras de proteção respiratória e respiradores é assegurar que o Brasil tenha pulmões próprios para respirar em tempos de crise e força industrial para crescer em tempos de paz. A soberania nacional não se faz apenas com fronteiras vigiadas, mas com fábricas operando e tecnologia protegida.

J. A. Puppio é empresário e autor do livro “Impossível é o que não se tentou”