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Passou da hora de mostrar aos jovens que vale a pena cuidar do meio ambiente
Pesquisa recente mostra que menos de 15% dos jovens entre 10 e 14 anos consideram “sustentabilidade e meio ambiente” importantes para a vida. Entre adultos, cerca de 50% dizem estar muito preocupados com o tema, número que caiu 11 pontos desde 2020. Os dados são do Relatório Nacional Semana da Escuta dos Adolescentes (2024), do Ministério da Educação, e da Preocupação sobre meio ambiente e mudanças climáticas dos brasileiros (2020, 2021, 2022 e 2025) da Pesquisa Mudanças Climáticas na Percepção dos Brasileiros (2025).
Para quem atua há décadas com educação socioambiental, esses números geram perplexidade. Mas também confirmam uma percepção crescente: muitas instituições, inclusive escolas, têm dado cada vez menos prioridade à sustentabilidade como um valor institucional.
Há, claro, muitas escolas e instituições que têm se dedicado à sustentabilidade de forma legítima, promovendo transformações permanentes e continuadas em dimensões como espaço, currículo, gestão e comunidade. Isso certamente faz diferença na vida e nas escolhas dos jovens hoje e no futuro, para além de estarem somente preocupados.
Não basta olhar para dentro. A escola é formada por pessoas e contextos que, muitas vezes, dificultam ações de sustentabilidade. Que escola nunca enfrentou o desafio de destinar corretamente seus resíduos? Ou de buscar a parceria e o protagonismo das famílias sem muito sucesso?
Quantas escolas conseguem, de fato, transformar a sustentabilidade em cultura institucional? Para mudar, para ser diferente, é preciso perseverança e investimento de recursos e energia. Ter um “comitê de sustentabilidade” nunca será suficiente se ele for desconectado do todo.
Cultura só existe - e se estabelece - nas relações e na consciência de que sustentabilidade não é um luxo.. Ela deve ser um valor essencial da escola, das pessoas e das sociedades em toda a sua diversidade.
Trazer a questão socioambiental de forma integrada exige repensarmos a escola como um todo, seu papel e sua função social. Em tempos de emergências socioambientais, ela não pode compactuar e perpetuar práticas que degradam o planeta e aumentam desigualdades.
A boa notícia para quem se dedica a essas questões quase filosóficas é que há muito ainda a ser feito. No meu caso em particular, que atuo há mais de 30 anos nesse campo desafiador, é ter a certeza que muita gente também está indignada e assustada com essas pesquisas e crê que a escola pode realmente se tornar o centro da construção de uma nova lógica civilizatória: mais simples, afetuosa e minimalista.
Edson Grandisoli é Referência brasileira em Educação e Meio Ambiente, um dos criadores do Movimento Escolas pelo Clima. Biólogo, mestre em Ecologia, doutor em Educação e Sustentabilidade pela Universidade de São Paulo e pós-doutor pelo Instituto de Estudos Avançados da USP.
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