Alagoas

Estudantes são selecionadas para apresentar projeto em congresso de Design

Projeto "Ria que Passa" foi aprovado para comunicação oral no eixo de Fatores Humanos, Acessibilidade e Experiência do Usuário do principal congresso científico de design do país

Assessoria de Comunicação - Ascom 18/09/2026
Estudantes são selecionadas para apresentar projeto em congresso de Design
Estudantes da Ufal selecionadas para apresentar projeto no Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design

Duas estudantes de Design da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) foram selecionadas para apresentar o projeto "Ria que Passa" no 16º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design (P&D Design), um dos principais eventos científicos da área de design no Brasil e um importante espaço de discussão e divulgação de pesquisas do setor na América Latina. O trabalho foi aprovado na modalidade comunicação oral, no Eixo 07 - Fatores Humanos, Acessibilidade e Experiência do Usuário.

O trabalho, intitulado "Ria que Passa: a criação de um artefato digital voltada à terapia on-line, para o público infantil, por meio do Design de Interação", é de autoria das estudantes Kamilly Cavalcanti Santos e Beatriz de Albuquerque Maranhão Bezerra, com orientação de Layane Araújo. O congresso será realizado entre os dias 7 e 9 de outubro, em Recife (PE), reunindo pesquisadores, estudantes e profissionais para apresentar e discutir trabalhos relacionados às diferentes áreas do Design.  

O "Ria que Passa" é uma proposta que une design, psicologia e palhaçoterapia em uma plataforma digital voltada ao suporte à terapia on-line de crianças com ansiedade social. O projeto começou a ganhar forma em 2024, durante a disciplina de Sistema de Identidade Visual da Ufal, quando Beatriz e Kamilly desenvolveram juntas a identidade visual da proposta.  

O processo começou de maneira analógica, com desenhos feitos à mão no papel, e passou por diferentes etapas de refinamento até chegar à identidade atual. Posteriormente, as estudantes decidiram aproveitar a identidade já desenvolvida para criar uma proposta que pudesse ter aplicação social e também integrar o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). "A gente imaginou utilizar o Ria que Passa como uma plataforma de terapia on-line que utiliza da palhaçoterapia para crianças", explica Beatriz de Albuquerque.  

Segundo a estudante, a ideia também considera as transformações provocadas pela pandemia de Covid-19 na utilização de ferramentas remotas. "Uma forma de romper com as barreiras geográficas e também com toda a questão que veio com a pandemia foi pensar em algo que pudesse acompanhar essa nova realidade do remoto e do on-line", afirma Beatriz.  

A plataforma foi desenvolvida como um ambiente voltado aos responsáveis pelas crianças e aos profissionais de psicologia. O projeto prevê recursos como criação de conta, área destinada aos psicólogos, acompanhamento de informações relacionadas à terapia e um blog. A interface utiliza elementos lúdicos relacionados à palhaçaria, mas esses recursos não são levados para dentro da videochamada. Durante o atendimento, a proposta é que a criança esteja em contato diretamente com o terapeuta ou psicólogo, utilizando a abordagem da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC).  

A escolha da TCC está relacionada ao recorte específico da pesquisa, que investiga a terapia on-line para crianças com ansiedade social. Para desenvolver a proposta, as estudantes precisaram pesquisar diferentes aspectos que se relacionam ao projeto, como terapia on-line, atendimento infantil, ansiedade social e palhaçoterapia.  

Para Kamilly Cavalcanti Santos, uma das principais dificuldades da pesquisa foi justamente conectar todos esses elementos. "Não dá para a gente pesquisar só sobre terapia, porque a gente está falando da on-line, está falando para crianças, está falando da abordagem da TCC e está falando para ansiedade social", explica.  

Por se tratar de um tema recente, parte das pesquisas relacionadas à proposta ainda está em desenvolvimento. Kamilly destaca que os estudos encontrados apontam resultados positivos para a utilização da terapia on-line, enquanto a aplicação da palhaçaria especificamente nesse contexto ainda precisa ser mais investigada. "É um estudo que ainda fica muito em aberto, porque as pesquisas ainda estão sendo feitas. A gente não consegue dizer que a palhaçaria, sozinha, causa determinado resultado, porque existem vários fatores externos", afirma Kamilly.  

A estudante explica que o projeto busca manter um recorte específico justamente para evitar generalizações sobre saúde mental infantil. A pesquisa não pretende abordar todos os transtornos ou todas as possibilidades de atendimento psicológico para crianças, mas concentra-se na ansiedade social infantil. "Nosso recorte é bem específico, para a gente poder focar naquilo e poder entregar um conteúdo verídico", destaca.  

A proposta também considera as particularidades do atendimento infantil no ambiente on-line. A plataforma não foi pensada para que a criança navegue sozinha pelo sistema. O acompanhamento dos responsáveis é parte importante da proposta, permitindo que a família permaneça próxima durante o processo terapêutico.  

De acordo com Kamilly, embora a interface da plataforma tenha elementos lúdicos relacionados à palhaçaria, eles não estarão presentes durante a videochamada. "Quando chega na videochamada, realmente fica só ali o terapeuta ou psicólogo e a criança e a técnica da TCC", explica.  

Para chegar ao protótipo atual, as estudantes passaram por diferentes etapas de pesquisa e planejamento, incluindo fluxogramas, mapa de empatia, criação de personas, análise do cenário existente e desenvolvimento de um Design System, conjunto de elementos que orienta a experiência e a interface do usuário. O protótipo da plataforma foi desenvolvido no Figma. O projeto também envolveu pesquisas sobre as modalidades de atendimento psicológico e sobre a utilização da palhaçoterapia. Segundo Beatriz, a proposta dialoga com experiências que já utilizam a palhaçaria em contextos de cuidado, como o Sorriso de Plantão, buscando compreender como essas experiências poderiam contribuir para a construção do projeto.  

Antes de avançar no desenvolvimento, as estudantes também realizaram uma etapa de validação por meio de um MVP (Minimum Viable Product), ou produto mínimo viável. Em 2024, elas produziram um vídeo institucional e divulgaram o material no Instagram do projeto, acompanhado de um formulário para verificar o interesse do público pela proposta. O formulário captou 43 e-mails interessados. A iniciativa recebeu dezenas de respostas e um retorno considerado positivo pelas estudantes, servindo como um dos primeiros indicativos para a continuidade do projeto. A submissão ao congresso aconteceu enquanto o TCC ainda estava em desenvolvimento. A sugestão partiu da orientadora das estudantes, Layane Araújo, que incentivou as duas a enviarem o trabalho mesmo antes da conclusão do projeto.  

Para participar, Beatriz e Kamilly adaptaram o material às exigências do congresso e fizeram uma pausa no desenvolvimento do TCC para realizar os ajustes necessários. O trabalho foi submetido em maio de 2026 e teve a aprovação anunciada em 6 de setembro. Para Beatriz, a aprovação representa uma importante validação acadêmica, especialmente porque o projeto ainda não chegou à sua etapa final. "É uma validação muito importante para a gente, principalmente no âmbito acadêmico. É saber que estamos indo no caminho certo, que o artigo e o projeto são interessantes e que é um estudo válido", destaca.  

A estudante ressalta ainda que, no momento da submissão, o projeto estava menos desenvolvido do que está atualmente. Desde então, a plataforma passou por novas etapas de construção e refinamento e se aproxima da fase de testes. Além da dimensão acadêmica, o projeto representa para as estudantes a continuidade de uma parceria construída desde o início da graduação. Beatriz e Kamilly são dupla desde os primeiros trabalhos do curso e desenvolveram juntas diferentes projetos ao longo da formação. Para Kamilly, essa trajetória também está refletida no TCC. "Eu acho que o TCC é um reflexo de uma graduação, uma jornada acadêmica de muita união, de uma mão realmente lavar a outra. A gente sempre dividiu os trabalhos. Não tinha como esse ser diferente", conta.  

A estudante também destaca que a dinâmica de trabalhar ao lado da amiga contribuiu para que o desenvolvimento do projeto fosse uma experiência marcada pela troca e pelo humor, aspectos que dialogam diretamente com a proposta do "Ria que Passa". "Eu acho que sempre fez muito sentido esse projeto ser com ela, não ser sozinha", afirma Kamilly.