Alagoas
MPAL lança campanha Setembro Amarelo com foco na prevenção e saúde mental
Oficina marca início das ações e reforça a importância do cuidado, da prevenção e da conscientização sobre saúde mental.
O Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) deu início, nesta terça-feira (1º), à programação do Setembro Amarelo, campanha dedicada à conscientização, à prevenção e à promoção do cuidado com a saúde mental. A abertura ocorreu no auditório do prédio-sede do MPAL, com a realização da Oficina de Primeiros Socorros Psicológicos (PSP), que reuniu membros e servidores da instituição para uma manhã de aprendizado, escuta e reflexão sobre como reconhecer e acolher pessoas em situação de sofrimento psíquico.
Promovida pela Comissão de Prevenção a Situações de Risco à Saúde Mental, presidida pela procuradora de Justiça Sandra Malta, a campanha deste ano tem como uma de suas principais propostas estimular uma cultura institucional em que falar sobre saúde mental, perceber sinais de sofrimento e saber acolher o outro sejam atitudes cada vez mais naturais.
A oficina de abertura foi elaborada e ministrada pela psicóloga Laís Macedo, do MPAL, e apresentou aos participantes o protocolo “Olhar, Ouvir e Vincular”, criado para oferecer ferramentas práticas para o reconhecimento de situações de sofrimento psíquico agudo e para uma primeira abordagem baseada na escuta, no respeito e na humanização.
Durante a abertura, Sandra Malta destacou que a iniciativa nasceu de uma preocupação da instituição em atuar antes que o sofrimento se agrave, fortalecendo a prevenção e o diálogo sobre saúde mental: “O objetivo da oficina foi nos ajudar a perceber os sinais de sofrimento e saber ouvir sem julgar, acolher e oferecer o primeiro apoio. Essa é a ideia: aprender a identificar uma situação que muitas vezes a pessoa está vivendo, mas que não é amplamente demonstrada”, explicou a procuradora.
Cuidado começa pela prevenção
Sandra Malta também fez questão de ressaltar o caráter preventivo do trabalho desenvolvido pela comissão. Segundo ela, a proposta não é substituir atendimento médico ou psicológico, mas contribuir para que membros, servidores e demais integrantes da instituição estejam mais preparados para perceber situações de sofrimento e para construir um ambiente de trabalho mais saudável. “O propósito da comissão é estimular o diálogo sobre saúde mental, identificar fatores que possam afetar o bem-estar emocional, combater o preconceito e contribuir para um ambiente mais saudável, acolhedor e respeitoso dentro do Ministério Público”, defendeu ela.
Para a presidente da comissão, a rotina institucional, marcada por responsabilidades, cobranças e desafios diários, reforça a necessidade de voltar o olhar para as pessoas que fazem o MPAL” A comissão nasceu com este propósito, que é o de agir antes que o sofrimento se instale, promovendo a prevenção, a escuta e o acolhimento e contribuindo para uma cultura institucional em que cuidar da saúde mental seja algo natural”, completou Sandra Malta.
“Olhar, Ouvir e Vincular”
Responsável pela oficina, Laís Macedo contou que a proposta surgiu a partir de uma discussão sobre quais ações poderiam ser desenvolvidas pela comissão durante o Setembro Amarelo. A psicóloga apresentou a ideia dos Primeiros Socorros Psicológicos, que foi acolhida por unanimidade pelos integrantes da comissão.
A atividade buscou justamente transformar um tema complexo em ferramentas que possam ser utilizadas no cotidiano, especialmente diante de situações em que alguém demonstra sinais de sofrimento emocional.
“Para construirmos uma atuação segura no Primeiro Socorro Psicológico (PSP), precisamos entender que a nossa prática acontece na fronteira entre a vulnerabilidade do outro e a nossa estabilidade. Essa intervenção é sustentada por três pilares fundamentais. O primeiro deles é o automonitoramento, que significa olhar para dentro. Trata-se do cuidado primário com o nosso próprio estado interno, que serve como a base de tudo. É essencial reconhecer nossos limites e recursos. Se em algum momento você perceber que está exausto ou excessivamente afetado pelo sofrimento alheio, passe o bastão e peça para um colega assumir a abordagem. Lembre-se sempre de que você só consegue cuidar do outro se também estiver bem.
O segundo pilar é a empatia, que se traduz em conectar e validar. É ter a disposição e a capacidade genuínas para compreender e acolher a dor do outro. Por fim, temos a assertividade, que é a arte de proteger as fronteiras. Ela envolve o estabelecimento de limites saudáveis e éticos na ajuda, garantindo que o cuidado seja prestado de forma segura tanto para quem recebe quanto para quem acolhe”, esclareceu Laís Macedo.
A coordenadora do Núcleo de Defesa da Saúde Pública (Nudesap), Micheline Tenório, destacou a importância da iniciativa para as relações interpessoais dentro da instituição.
“É algo muito importante para o envolvimento interpessoal. A oficina foi tão relevante que já foi suscitada a possibilidade de que ela passe a integrar a capacitação de membros, servidores, estagiários e terceirizados que ingressem no Ministério Público”, detalhou.
Micheline Tenório também parabenizou a condução da atividade e o trabalho desenvolvido pela Comissão de Saúde Mental, ressaltando a importância do envolvimento da gestão institucional com a temática.
Programação segue durante todo o mês
A campanha Setembro Amarelo do MPAL terá atividades em diferentes unidades do Ministério Público ao longo de setembro, ampliando o alcance das ações de prevenção e cuidado.
Confira a programação:
* 1º de setembro – Abertura da campanha, no auditório do prédio-sede do MPAL, com a Oficina de Primeiros Socorros Psicológicos;
* 9 de setembro – Oficina de Primeiros Socorros Psicológicos na sede das Promotorias de Justiça do Barro Duro, em Maceió;
* 15 de setembro – Oficina na sede das Promotorias de Justiça de Santana do Ipanema;
* 23 de setembro – Oficina na sede das Promotorias de Justiça de União dos Palmares;
* 30 de setembro – Encerramento da campanha, com apresentação do coro e palestra da psicóloga Jully.
Ao levar a programação para diferentes unidades, a administração superior do MPAL entende que a promoção da saúde mental precisa fazer parte da rotina institucional e alcançar os diversos espaços onde membros e servidores desenvolvem suas atividades. “Mais do que uma campanha concentrada no mês de setembro, a iniciativa pretende fortalecer uma mudança de cultura. Precisamos falar sobre saúde mental sem preconceito, reconhecer sinais de sofrimento, saber ouvir e compreender que o cuidado também passa pela forma como cada pessoa se relaciona com o outro”, declarou o procurador-geral de Justiça, Lean Araújo.
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