Alagoas
JHC evita Flávio, que diz estar com JHC; Quaest mostra bolsonaristas com o filho de João Caldas, mas até quando a base aceitará essa distância?
Ex-prefeito tem seu melhor desempenho entre eleitores identificados com o bolsonarismo; Flávio declarou apoio aberto, enquanto JHC ficou longe dos atos do presidenciável em Alagoas
JHC pode até tentar manter distância do palanque presidencial, mas os números da Quaest mostram onde está um dos seus principais redutos eleitorais em Alagoas: entre os bolsonaristas.
Nada menos que 64% dos eleitores que se declaram bolsonaristas dizem votar em JHC para governador, contra 25% que preferem Renan Filho. É o maior percentual alcançado pelo candidato do PSDB entre todos os grupos de identificação política pesquisados pela Quaest.
Quando se chega ao eleitor lulista, a fotografia vira de cabeça para baixo. Renan Filho tem 68% e JHC apenas 22%. Na direita não bolsonarista, JHC também aparece numericamente à frente, com 49% contra 29%.
Ou seja: a pesquisa deixa evidente que quanto mais bolsonarista é o eleitor, mais forte aparece JHC.
Flávio confirma JHC; JHC não aparece
A ligação ficou ainda mais explícita na terça-feira (25), quando Flávio Bolsonaro desembarcou em Maceió e confirmou publicamente JHC como seu candidato ao Governo de Alagoas.
“Nosso candidato a governador é JHC”, afirmou Flávio, acrescentando que o ex-prefeito estaria com seu grupo durante a campanha.
Só que havia um detalhe impossível de ignorar: JHC não estava lá.
O candidato ao governo não participou da recepção no aeroporto nem dos principais atos políticos de Flávio em Alagoas. A ausência chamou atenção também na imprensa nacional e foi interpretada como tentativa de evitar um palanque que poderia criar dificuldades para JHC junto ao eleitorado lulista.
Coincidência ou estratégia política, o fato é que Flávio veio a Alagoas declarar apoio a JHC, enquanto JHC preferiu ficar longe da imagem pública ao lado de Flávio.
E os números ajudam a explicar a cautela.
Apoio de Flávio pode cobrar preço
A mesma Quaest mostra que 42% dos alagoanos preferem um governador aliado de Lula, enquanto apenas 22% querem alguém aliado de Flávio Bolsonaro. Outros 30% dizem preferir um governador independente.
Há outro número ainda mais incômodo.
Quando o eleitor é perguntado sobre o efeito de um pedido de voto de Flávio Bolsonaro, 35% dizem que isso diminuiria sua chance de votar no candidato apoiado por ele. Apenas 22% dizem que aumentaria.
Na corrida presidencial, a diferença também é grande: em um dos cenários da Quaest, Lula aparece com 45% em Alagoas e Flávio Bolsonaro com 30%.
Está aí o dilema de JHC.
Seu melhor desempenho está justamente entre os bolsonaristas, mas assumir de corpo inteiro o palanque de Flávio pode dificultar a busca pelo eleitor que vota em Lula — maioria no confronto presidencial mostrado pela Quaest.
Por isso, a ausência de JHC durante a passagem de Flávio por Alagoas dificilmente passou despercebida.
Flávio fez questão de dizer quem é seu candidato. A Quaest mostrou que o eleitor bolsonarista também sabe quem prefere.
JHC pode evitar a fotografia com Flávio, mas os números da pesquisa deixam a ligação política bem mais difícil de esconder.
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