Alagoas

Após mais de dois meses preso, PTK celebra liberdade e afirma: “Vou provar minha inocência”

Influenciador foi solto após decisão do TJAL que substituiu a prisão preventiva por medidas cautelares; ele terá de usar tornozeleira eletrônica e segue investigado por suspeitas de organização criminosa e lavagem de dinheiro

Redação 22/08/2026
Após mais de dois meses preso, PTK celebra liberdade e afirma: “Vou provar minha inocência”

O influenciador digital Patrick de Almeida Silva, conhecido como PTK, publicou nesta sexta (21) seu primeiro vídeo após deixar a prisão e comemorou a decisão da Justiça que permitiu que responda às investigações em liberdade.

PTK estava preso preventivamente desde 3 de junho, quando foi alvo da Operação Morro do Alemão, deflagrada pela Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), em investigação que apura a atuação do Comando Vermelho em Alagoas. Ele é investigado por suspeitas de organização criminosa e lavagem de dinheiro. citeturn140557search2turn848173view0

No vídeo publicado nas redes sociais, PTK agradeceu a Deus, aos seguidores, aos motoboys, às comunidades, aos advogados e também à Justiça de Alagoas.

“Quero aqui, primeiramente, agradecer a Deus. Quero agradecer a todos os seguidores, a todos os motoboys, a todas as comunidades que torceram pela minha liberdade”, declarou.

O influenciador afirmou ainda que a decisão judicial lhe permitirá exercer seu direito de defesa.

“Quero agradecer os meus advogados, agradecer a Justiça do Estado de Alagoas, que me deu o direito de me defender”, disse.

Na sequência, PTK anunciou que pretende retomar suas atividades e reafirmou que contestará as acusações formuladas contra ele.

“Estou de volta, mais forte ainda. O trabalho vai continuar. E eu irei provar minha inocência”, afirmou. 


TJAL substituiu prisão por medidas cautelares

A liberdade de PTK foi determinada pela Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Alagoas, que concedeu habeas corpus na quarta-feira (19).

O julgamento terminou empatado, resultado que beneficiou o investigado. A Corte entendeu que, naquele momento, não havia elementos concretos, individualizados e atuais suficientes para justificar a continuidade da prisão preventiva. 

O entendimento do Tribunal não significa, porém, que PTK tenha sido absolvido ou que as investigações tenham sido encerradas.

A apuração continua.

Para permanecer em liberdade, o influenciador terá de cumprir uma série de medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica, comparecimento periódico à Justiça, proibição de contato com outros investigados e impedimento de deixar a comarca de Maceió sem autorização judicial.


O que pesou na decisão

A decisão que revogou a prisão preventiva contém pontos relevantes para a defesa de PTK.

Segundo informações divulgadas sobre o julgamento, um dos elementos da investigação era uma conversa ocorrida em janeiro de 2024 na qual PTK teria recebido de uma pessoa apontada como integrante da organização criminosa um convite para disputar uma vaga de vereador.

Na análise do habeas corpus, o relator, desembargador Ivan Vasconcelos Brito Júnior, avaliou que essa conversa, isoladamente, não seria suficiente para demonstrar adesão ou integração do influenciador à estrutura criminosa

O Tribunal também levou em consideração a distância temporal entre o diálogo investigado e a decretação da prisão, ocorrida somente em junho de 2026.

Outro aspecto examinado foi a movimentação financeira de PTK. O entendimento registrado no julgamento foi de que eventuais incompatibilidades entre movimentações financeiras e informações fiscais justificam investigação, mas não bastam, por si mesmas, para comprovar ligação com organização criminosa ou origem ilícita dos recursos. citeturn562541search3

Durante as buscas realizadas pela polícia, foram apreendidos na residência do influenciador R$ 20 mil em espécie, dois aparelhos celulares, dois anéis e um pendrive. 

De acordo com a decisão divulgada pela imprensa, não foram encontrados drogas, armas ou outros objetos que, naquele momento, estabelecessem diretamente a prática dos crimes investigados. 


Operação Morro do Alemão

PTK ganhou projeção nas redes sociais principalmente junto a comunidades de Maceió e ao segmento dos motoboys e vinha se apresentando politicamente como pré-candidato a deputado federal.

Ele foi preso em 3 de junho durante a Operação Morro do Alemão, ação que cumpriu mandados em Maceió, Marechal Deodoro e no Rio de Janeiro.

Na época, a Polícia Civil informou que investigava uma tentativa da cúpula do Comando Vermelho de ampliar sua influência política em Alagoas. Segundo os investigadores, PTK seria um dos nomes mencionados nesse contexto.

A defesa sempre contestou as acusações e sustentou fragilidade das provas utilizadas para justificar a prisão.

A decisão do TJAL agora estabelece uma distinção importante: a Justiça considerou insuficientes os elementos apresentados para manter PTK preso preventivamente, mas não julgou definitivamente sua inocência ou culpa.

Essa discussão continuará no processo.


“O trabalho vai continuar”

Ao reaparecer publicamente neste sábado, PTK evitou entrar em detalhes sobre a investigação ou atacar diretamente policiais e autoridades responsáveis pela operação.

Preferiu adotar um discurso de agradecimento e reconstrução de sua imagem.

A referência aos motoboys e às comunidades, dois dos principais públicos que impulsionaram sua projeção nas redes sociais e na política, também sinaliza que PTK pretende reconstruir rapidamente sua presença pública.

“Estou de volta, mais forte ainda”, disse.

A declaração também abre uma nova etapa na trajetória política do influenciador, que terá agora de conciliar sua atuação nas redes e eventual atividade eleitoral com as restrições impostas pelo Tribunal.

Por enquanto, a disputa deixa a prisão e retorna ao processo judicial. PTK está em liberdade.

Mas continuará sendo investigado - e, como afirmou em seu primeiro vídeo após sair do sistema prisional, pretende usar essa liberdade para tentar provar sua inocência.