Alagoas
Estudante de Engenharia Civil tem trabalho premiado na 78ª Reunião da SBPC
Marília Couto foi premiada com um trabalho de sustentabilidade ambiental por meio do aproveitamento de Resíduos de Construção e Demolição (RCD)
A estudante do curso de Engenharia Civil da Ufal, Marília Couto, foi premiada na Sessão de Pôsteres da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), na categoria Ciências Exatas, da Terra e Engenharias. O evento foi realizado no final do mês passado e laureou produções científicas de todo o país.
O trabalho premiado tem como título “Utilização de agregado reciclado miúdo para a produção de argamassas” e conta com a orientação da docente Karoline Moraes. O estudo, explica a estudante, aborda o desenvolvimento de argamassas sustentáveis a partir da substituição do agregado miúdo natural, mais conhecido como areia, por agregado reciclado proveniente de Resíduos de Construção e Demolição (RCD). No estudo em questão, o agregado reciclado utilizado foi proveniente da demolição de edificações localizadas em áreas afetadas por fenômenos geológicos na cidade de Maceió.
Ao comentar sobre a premiação, ela destaca que é um reconhecimento por todo o trabalho realizado. “Receber a notícia da premiação foi muito especial. A iniciação científica envolve bastante dedicação, desde a realização dos ensaios em laboratório, organização dos resultados até a escrita e apresentação do trabalho. Ter esse esforço reconhecido nos anima a continuar produzindo. Além da satisfação pessoal, a premiação representa um reconhecimento à pesquisa em conjunto que vem sendo desenvolvida no Laboratório de Estruturas e Materiais [Lema] da Ufal”, comemorou.
O Lema é um equipamento de ensino e pesquisa localizado no Campus A.C. Simões, em Maceió. O espaço dispõe de infraestrutura e equipamentos para a realização de mais de 90 tipos de ensaios padronizados e análises em diversos materiais utilizados na construção civil, seguindo as regras definidas pelos órgãos de normalização. Cimento, concreto, aço, agregados, argamassas, blocos e telhas cerâmicos, blocos de concreto e tijolos maciços são alguns dos itens analisados pela equipe do laboratório.
E foi nessa estrutura que Marília fez os testes de seu trabalho. Bolsista de iniciação científica, ela desenvolve pesquisas na área de materiais de construção, com foco no aproveitamento de resíduos que possam ser utilizados como agregados e finos na produção de materiais mais sustentáveis. E o trabalho premiado na SBPC tem como diferencial a preocupação com o meio ambiente por meio da redução dos impactos dos resíduos da construção civil.
“Este é um dos setores com maior utilização de recursos naturais e também responsável pela geração de grandes volumes de resíduos. O aproveitamento dos Resíduos de Construção e Demolição como matéria-prima para novos materiais contribui para reduzir a extração de agregados naturais e, ao mesmo tempo, dar uma destinação adequada aos resíduos”, destaca a aluna que já tem outros trabalhos publicados sobre o tema.
Mais sobre o trabalho premiado
Marília explica que o agregado reciclado miúdo é um material obtido a partir do beneficiamento e processamento de RCD e que, após etapas como triagem, britagem e classificação, é possível obter uma fração do material com características adequadas para ser utilizada como agregado.
“Na produção de argamassas, esse material pode substituir total ou parcialmente o agregado miúdo natural, ou seja, a areia. No nosso estudo, avaliamos diferentes proporções de substituição e analisamos como a presença do agregado reciclado influencia propriedades importantes da argamassa, como trabalhabilidade, resistência mecânica e absorção de água”, esclarece.
A pesquisa, detalha a aluna, analisou propriedades nos estados fresco e endurecido da argamassa com agregado reciclado, verificando como diferentes proporções desse material influenciam no desempenho das argamassas para assentamento e revestimento de alvenaria. “Dessa forma, o estudo procura contribuir para o desenvolvimento de alternativas que conciliem o desempenho dos materiais de construção com a utilização mais racional de recursos naturais”, afirmou.
Vantagens do RCD
Entre tantas vantagens do aproveitamento do RCD, Marília ressalta que a principal é transformar um resíduo em matéria-prima para um novo material de construção, uma vez que contribui para reduzir o volume de resíduos descartados e diminuir a demanda pela extração de novos materiais da natureza.
Em relação ao desempenho, ela informa que não é possível afirmar que a utilização do agregado reciclado torna a argamassa necessariamente mais resistente, uma vez que o comportamento depende de fatores como as características do resíduo, a proporção utilizada e o traço da argamassa.
“No estudo de nossa autoria, identificamos que as argamassas produzidas com material reciclado obtiveram desempenho mecânico superior àquelas com 100% de agregado natural. Assim, além da questão econômica, nosso estudo busca principalmente demonstrar o potencial técnico e ambiental desse reaproveitamento”, afirma.
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