Alagoas

Pesquisadoras da Ufal se destacam em congresso nacional de Biologia Celular

Um dos trabalhos apresentados foi o único premiado de uma universidade do Nordeste nesta edição

14/08/2026
Pesquisadoras da Ufal se destacam em congresso nacional de Biologia Celular
Equipe da Ufal no 23° Congresso da Sociedade Brasileira de Biologia Celular (SBBC 2026), realizado em São Paulo

As pesquisas da Ufal utilizando a mosca Drosophila melanogaster como organismo experimental foram destaque mais uma vez. Três estudantes vinculadas ao Laboratório de Análise in vivo da Toxicidade e Doenças Neurodegenerativas (Lavitox) apresentaram suas pesquisas no 23° Congresso da Sociedade Brasileira de Biologia Celular (SBBC 2026), realizado em São Paulo.

Representaram o laboratório Renata Campelo e Pâmela Abigail, graduandas do curso de Ciências Biológicas da Ufal e estudantes de iniciação científica, e Larissa Moreira, mestranda do Programa de Pós-graduação em Ciências Farmacêuticas (PPGCF/Ufal).

As três jovens cientistas apresentaram trabalhos relacionados à investigação de doenças neurodegenerativas. Renata Campelo apresentou uma pesquisa sobre o reposicionamento de fármacos para o tratamento da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) associada ao gene C9orf72. Pâmela Abigail apresentou seu trabalho voltado à visualização de neurônios motores em um modelo de ELA em Drosophila, enquanto Larissa Moreira apresentou sua pesquisa utilizando um modelo da doença de Alzheimer em Drosophila.

Entre os trabalhos apresentados no congresso, a pesquisa de Renata recebeu Menção Honrosa na categoria Iniciação Científica. O reconhecimento ganhou relevância adicional por ter sido o único entre os premiados na SBBC 2026 vinculado a uma universidade da região Nordeste.

“A premiação, concedida em um congresso que reúne pesquisadores e estudantes de diferentes instituições brasileiras, contribui para dar visibilidade à pesquisa desenvolvida em Alagoas e à presença de jovens cientistas nordestinos em espaços nacionais de discussão científica”, destacou o professor Lucas Anhezini, coordenador do Lavitox.

Pesquisa premiada investiga novas possibilidades terapêuticas para ELA

O trabalho apresentado por Renata tem como foco a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), doença neurodegenerativa progressiva caracterizada pela degeneração de neurônios motores e pela perda progressiva da capacidade motora.

Intitulado Therapeutic potential of repurposed drugs for the treatment of C9orf72-associated Amyotrophic Lateral Sclerosis in an animal model, o estudo investiga o potencial terapêutico de medicamentos já conhecidos para uma forma genética da ELA associada ao gene C9orf72.

A estratégia utilizada é conhecida como reposicionamento de fármacos. Em vez de iniciar o desenvolvimento de uma nova molécula do zero, pesquisadores investigam se medicamentos já existentes podem apresentar atividade terapêutica para outras doenças.

No estudo desenvolvido na Ufal, uma triagem virtual foi utilizada para identificar fármacos candidatos capazes de modular a atividade do receptor Sigma-1 (Sig-1R), proteína relacionada a mecanismos celulares relevantes para a ELA associada ao C9orf72. Os compostos selecionados foram posteriormente avaliados em modelos genéticos de Drosophila melanogaster que reproduzem características da doença por meio da expressão de repetições tóxicas G4C2 em neurônios motores e no tecido ocular.

Os resultados apresentados indicaram efeitos neuroprotetores dos compostos avaliados, com redução da toxicidade associada às repetições G4C2, melhora da integridade neuronal, aumento da sobrevida e melhora do desempenho locomotor dos animais. Os achados apontam para o potencial da modulação do receptor Sigma-1 como estratégia para o reposicionamento de medicamentos na ELA associada ao C9orf72.

O trabalho integra diferentes abordagens e envolve pesquisadores do Lavitox e colaboração com pesquisadores da área de Química da Ufal.

Reconhecimento de um trabalho que começa muito antes do congresso

Para Renata Campelo, participar da SBBC representou uma oportunidade de contato com pesquisadores de diferentes áreas da Biologia Celular e instituições de todo o país.

“Participar da SBBC foi uma experiência marcante e gratificante para mim. É um congresso que reúne pesquisadores de diferentes áreas da Biologia Celular e de instituições de todo o país, criando um ambiente muito rico para aprender e trocar experiências. Participar de eventos assim amplia bastante a nossa visão sobre a pesquisa e também nos motiva a continuar investindo na formação científica”, disse.

A experiência ganhou significado ainda maior com o anúncio da Menção Honrosa: “Foi uma felicidade enorme. Quando a gente desenvolve um projeto de pesquisa, existe muito trabalho que acontece nos bastidores, entre estudo, experimentos, análise de resultados e desafios que nem sempre aparecem na apresentação final. Receber uma Menção Honrosa foi uma forma muito especial de ver todo esse esforço reconhecido”.

Renata ainda reforça que a conquista também ajuda a colocar em evidência a ciência desenvolvida em Alagoas. “É especialmente gratificante ver a pesquisa alagoana em destaque em eventos de nível nacional, evidenciando a qualidade do trabalho desenvolvido aqui. Fiquei muito feliz, mas também muito grata aos meus orientadores, aos colegas do laboratório e à Ufal, que oferecem toda a estrutura e o incentivo para que a gente possa desenvolver esse tipo de pesquisa. É um reconhecimento que motiva ainda mais a continuar na carreira científica e a buscar resultados cada vez melhores”, completou.

Pâmela investiga neurônios motores em modelo de ELA

Também graduanda em Ciências Biológicas e estudante de iniciação científica, Pâmela Abigail apresentou na SBBC sua pesquisa relacionada à visualização de neurônios motores em um modelo de Esclerose Lateral Amiotrófica em Drosophila melanogaster.

A visualização dessas células permite acompanhar alterações nos neurônios motores em modelos experimentais da doença, contribuindo para a caracterização dos processos neurodegenerativos e criando ferramentas que poderão ser utilizadas para avaliar a perda ou preservação dessas células ao longo da progressão da doença.

“Participar da SBBC pela primeira vez foi uma experiência inesquecível e um marco muito importante na minha trajetória acadêmica. Estar em um dos principais congressos de Biologia Celular do país me permitiu vivenciar de perto um ambiente de intensa troca de conhecimento, inovação e discussão científica. Além disso, tive a oportunidade de apresentar o meu trabalho de pesquisa, compartilhar os resultados do projeto e discutir o estudo com outras pessoas, tornando essa experiência ainda mais significativa”, contou a estreante no evento.

Tralho de Larissa apresentou pesquisa com modelo de Alzheimer em Drosophila

A participação do Lavitox na SBBC incluiu também a pós-graduação. Larissa Moreira, mestranda do Programa de Pós-graduação em Ciências Farmacêuticas da Ufal, apresentou pesquisa utilizando Drosophila melanogaster como modelo experimental para o estudo da doença de Alzheimer.

Segundo a pesquisadora, a utilização da mosca permite investigar alterações associadas à neurodegeneração e compreender mecanismos biológicos envolvidos na progressão da doença. Modelos de Drosophila oferecem, assim, ferramentas para investigar aspectos celulares e moleculares de doenças humanas complexas.

“Na SBBC, foi muito importante poder representar a ciência que fazemos em Alagoas, principalmente porque havia poucos participantes do Estado no congresso. Também foi uma oportunidade de divulgar a Drosophila melanogaster como modelo para o estudo de doenças neurodegenerativas, uma aplicação que ainda surpreende muitas pessoas”, relatou.

A mestranda destacou que a diversidade científica da SBBC proporcionou experiências diferentes. “O congresso me colocou em contato com temas e abordagens diferentes dos que fazem parte da minha rotina, ampliando meu repertório e despertando interesse por aspectos que ainda quero aprofundar na minha formação”, completou.

Drosophila conecta as três pesquisas

Embora abordem perguntas diferentes, os trabalhos apresentados por Renata Campelo, Pâmela Abigail e Larissa Moreira têm um elemento em comum: a utilização de Drosophila melanogaster para investigar doenças neurodegenerativas.

Apesar da grande distância evolutiva entre a mosca e o ser humano, muitos genes e mecanismos celulares importantes são conservados ao longo da evolução. Aliada à disponibilidade de ferramentas genéticas sofisticadas, essa característica faz da Drosophila um importante sistema experimental para investigar mecanismos relacionados às doenças humanas.

Visibilidade nacional

O professor Lucas Anhezini destacou que a possibilidade de estudantes da graduação e da pós-graduação apresentarem suas pesquisas em um congresso nacional é parte fundamental do processo de formação científica.

“Para nós, é motivo de muito orgulho ver estudantes da Ufal apresentando e discutindo seus trabalhos em um congresso nacional dessa importância. Esses eventos permitem que elas tenham contato com pesquisadores de diferentes instituições, submetam seus resultados ao debate científico e percebam que a pesquisa que desenvolvemos em Alagoas pode dialogar em alto nível com trabalhos realizados em diferentes centros do país”, disse Anhezini.

O pesquisador também evidencia a premiação da Ufal na categoria iniciação científica como uma conquista regional. “Ver uma estudante de graduação receber esse reconhecimento por uma pesquisa que envolve uma questão tão complexa como a Esclerose Lateral Amiotrófica é extremamente gratificante. E saber que, entre os trabalhos premiados nesta edição da SBBC, o nosso foi o único de uma universidade do Nordeste torna essa conquista ainda mais significativa. Mostra que a ciência produzida em Alagoas pode ocupar espaços de destaque nacional e que nossos estudantes têm condições de desenvolver e defender pesquisas de alto nível”, concluiu.