Alagoas
Manejo animal e assistência técnica elevam produtividade de leite em dois territórios alagoanos
Programa do Banco do Nordeste beneficiou mais de 170 produtores do Baixo São Francisco e Médio Sertão Alagoano
Maceió (AL), 13 de agosto de 2026 – Produtores de leite do Baixo São Francisco e do Médio Sertão Alagoano registraram aumentos de 70% e 21,5%, respectivamente, na produtividade das matrizes bovinas após ações voltadas ao manejo animal e à assistência técnica rural. As iniciativas foram desenvolvidas durante a execução dos dois Planos de Ação (PAT) do Programa de Desenvolvimento Territorial (Prodeter), do Banco do Nordeste (BNB), encerrados em junho deste ano, que beneficiaram mais de 170 bovinocultores dos dois territórios.
As ações desenvolvidas durante o programa foram realizadas em parceria com instituições de apoio técnico, que forneceram assistência especializada e extensão rural junto aos produtores, incluindo diagnóstico das propriedades, elaboração de planos de melhoria, visitas técnicas periódicas, capacitações coletivas, acompanhamento individualizado e introdução a novas tecnologias de pastagem e reprodução de espécies.
Após a implementação das ações, o percentual de bovinocultores com acesso direto à capacitação técnica e gerencial no Baixo São Francisco aumentou de 30% para 83%. Já no Médio Sertão Alagoano, esse índice passou de 34% para quase 44%.
Baixo São Francisco
No território Baixo São Francisco, cerca de 55 agentes econômicos dos municípios de Penedo, Igreja Nova, Piaçabuçu e São Sebastião integraram as atividades do programa.
O agente de desenvolvimento do BNB encarregado pela execução do Prodeter no território, Reginaldo Gomes, destacou que os principais fatores para o avanço da produtividade foram o melhoramento genético do rebanho, o aprimoramento do manejo nutricional e a qualificação da gestão das propriedades, ações realizadas em parceria com o Instituto de Inovação para o Desenvolvimento Rural Sustentável de Alagoas (Emater-AL).
O zootecnista da Emater-AL Gilvane de Lira, responsável pelo acompanhamento de parte dos agricultores integrantes desse Prodeter, salienta que os resultados alcançados são consequência de um processo contínuo de assistência técnica aliado à adoção de práticas de manejo mais eficientes nas propriedades.
“Antes da atuação do programa junto à Emater-AL, a produção era conduzida de forma mais tradicional, com baixo nível de planejamento nutricional, deficiência nos controles produtivos e reprodutivos e pouca utilização de tecnologias de gestão, com uma média de apenas uma ordenha por produtor. Após a implantação das ações, houve um maior número de bovinocultores que passaram a fazer mais de uma ordenha diária, também observamos uma maior organização do sistema produtivo e adoção de planejamentos mais específicos para as propriedades”, explica Gilvane.
Entre as práticas difundidas ao longo do período estiveram o planejamento forrageiro para os períodos de estiagem, a ampliação da produção de silagem, o manejo sanitário preventivo, o controle da mastite, a melhoria da qualidade do leite e a adoção de registros zootécnicos e econômicos. Também foram realizadas atividades práticas voltadas ao manejo de pastagens, inseminação artificial e melhoramento genético do rebanho.
De acordo com os dados consolidados ao final das atividades, além dos ganhos de produtividade por animal, a produção média mensal das propriedades participantes passou de 1,5 mil para 3,5 mil litros de leite, alta de aproximadamente 135%. O faturamento médio mensal dos produtores também evoluiu de R$ 2,5 mil para R$ 6,7 mil.
Gilvane complementa que a incorporação gradual dessas técnicas permitiu maior organização dos sistemas produtivos e reduziu a vulnerabilidade das propriedades aos períodos de escassez de alimento para os animais.
“Verificamos aumento da produção de leite, melhoria da qualidade do produto, maior regularidade da produção durante o ano e fortalecimento da sustentabilidade econômica das propriedades. As capacitações da Emater-AL permitiram o acompanhamento da aplicação prática das tecnologias, esclareceram dúvidas durante a execução das atividades e monitorou os resultados obtidos.
Essa metodologia favoreceu a adoção efetiva das recomendações técnicas e ampliou o acesso dos agentes econômicos a compras coletivas, conhecimento gerencial e produtivo das propriedades”, ressalta.
Médio Sertão Alagoano
No Médio Sertão Alagoano, o programa integrou os municípios de Santana de Ipanema, Dois Riachos, Poço das Trincheiras e Maravilhas, reunindo cerca de 120 produtores de leite do território, que contaram com acompanhamento técnico promovido pela Fazenda Eficiente, empresa de consultoria rural estratégica.
Entre as ações desenvolvidas estão a adoção de técnicas voltadas à nutrição animal, a produção de forragem e a gestão produtiva da atividade.
Na perspectiva do agente de desenvolvimento do BNB, Marcos Diniz, uma das iniciativas mais importantes implementadas durante o período de vigência do programa foi a introdução do sistema de pastejo rotacionado em palma forrageira, tecnologia adaptada às condições do semiárido e apresentada aos agentes econômicos por meio de dias de campo, oficinas e unidades demonstrativas.
O sócio-proprietário da Fazenda Eficiente, Ademilson Neris, que participou das ações de capacitação no território, explica que a tecnologia surgiu como uma alternativa para enfrentar gargalos relacionados à disponibilidade de mão de obra nas propriedades. “A implantação do sistema de pastejo rotacionado em palma forrageira surgiu da necessidade apresentada pelos criadores, seja pela dificuldade de mão de obra, seja pela falta de sucessão na atividade.
Nesse modelo, a colheita da palma não é feita pelas pessoas para levar ao cocho; os próprios animais fazem esse aproveitamento diretamente no campo”, afirma.
A difusão desse modelo de produção ocorreu por meio de encontros técnicos e oficinas práticas promovidos junto aos bovinocultores de leite do território, permitindo que os agricultores observassem a aplicação do sistema em condições reais de produção.
Segundo Ademilson, a estratégia contribuiu para aproximar os produtores de novas ferramentas de manejo e gestão. “O acesso à capacitação técnica e gerencial é contínuo. Quando o produtor vê no campo o uso de técnicas inovadoras e de controles gerenciais aplicados à atividade, ele consegue melhorar a tomada de decisão e o planejamento da propriedade”, destaca.
Ao final do programa, o território registrou crescimento de aproximadamente 44% na produção média mensal dos participantes, que passou de 5 mil para 7 mil litros de leite. O faturamento médio mensal dos participantes também avançou 15,5% ao longo da execução do programa.
IMPRENSA - Banco do Nordeste
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