Alagoas

Sargento da PM-AL conclui Curso Operacional Raio em Sergipe

Kadjyla Viana foi uma das três mulheres a concluir a formação promovida pela PMSE e se tornou agente multiplicadora na área de patrulhamento tático especializado.

Agência Alagoas 30/06/2026
Sargento da PM-AL conclui Curso Operacional Raio em Sergipe
Sargento Kadjyla Viana conclui o Curso Operacional Raio promovido pela PMSE em Aracaju - Foto: Fernanda Alves / Ascom PM-AL

"Proteja-nos, Senhor, pois confiamos em Ti. Seja nosso colete, nossa arma, nosso guia para sempre. Radiopatrulha. Amém", diz o trecho final da Oração do Radiopatrulheiro. No meio militar, cada área de especialidade possui seu rito particular, expresso em forma de brado. Os radiopatrulheiros seguem essa tradição com a vibração característica da atividade operacional.

Foi assim, ostentando o raio vermelho no braço, que os 26 concluintes do II Curso Operacional Raio (COR), promovido pela Polícia Militar do Estado de Sergipe (PMSE), entoaram a prece durante a cerimônia de formatura.

O momento ocorreu após os formandos receberem os brevês das mãos de seus respectivos padrinhos e madrinhas. O encerramento do II COR da PMSE foi realizado na sede do Batalhão de Polícia de Radiopatrulha (BPRp), no bairro 13 de Julho, em Aracaju, na segunda-feira (22).

Entre as três mulheres no dispositivo de conclusão, uma chamava atenção para vestir uma farda de cor diferente dos demais integrantes. O uniforme cáqui contrastava com os trajes escuros dos outros formandos perfilados. Era a 2ª sargento Kadjyla Viana, da Polícia Militar de Alagoas (PM-AL), a única que não pertencia às fileiras da PMSE.

O COR é promovido pelo BPRp da coirmã sergipana com o objetivo de especializar policiais na doutrina e nos procedimentos de radiopatrulhamento tático, com alto nível técnico e forte exigência física. A militar alagoana integrou uma turma que iniciou a formação com 38 inscritos e concluiu com 26 participantes.

Ao longo da jornada, o sargento Kadjyla se destacou não apenas por estar acima da média de idade do grupo ou pela antiguidade na carreira — já que boa parte dos alunos era formada por soldados recém-incorporados à PMSE —, mas também por servir de inspiração aos demais.

As atividades do curso foram encerradas no sábado (20), à meia-noite. Ao perceber que a sequência de longos dias, noites e madrugadas havia sido concluída, a militar não conteve as lágrimas. Segundo ela, foi o momento de olhar para trás e perceber que mais uma etapa havia sido vencida com sucesso.

Ao rever todo o processo, a sargento Kadjyla resumiu: "É difícil estar longe de casa. Tem a questão da saudade e outros desafios para além do curso, mas quando você tem um sonho, a vocação, e quer representar o seu estado e sua polícia, o fato de saber que vai carregar uma glória eterna e a responsabilidade de ser exemplo útil de motivação até diante da dor. Quem sai de seu estado para buscar conhecimento, como eu vim buscar, tem que qualquer dificuldade".

O subcomandante do Batalhão de Polícia de Rotam de Alagoas, capitão Sebastião Grangeiro, enalteceu o envolvimento do combate. Ele representou a unidade especializada na solenidade de formatura e esteve presente ao lado de outros militares, entre eles o capitão Kelmany Assis e o tenente Iago Omena, subcomandante da Companhia de Polícia Militar Independente de Ronda de Ação Intensiva Ostensiva (Raio/CPM-I).

Raio como propósito

Além de um grande desafio, o curso também representou uma volta às origens. Natural de Aracaju, um combatente deixou sua terra natal e encontrou raízes em Alagoas ao ser aprovado e convocado para servir na PM-AL, em 2010.

Após o Curso de Formação de Praças (CFP), Kadjyla serviu no 3º Batalhão, sediado em Arapiraca, durante quatro anos. Nos anos seguintes, atuou em operações de inteligência junto à Secretaria de Segurança Pública (SSP), realizou cursos na área, serviu na Força Nacional e, atualmente, integra uma equipe do Gabinete do Comando-Geral.

O universo militar e, especialmente, a especialização operacional eram anseios antigos, anteriores ao ingresso da sargento na corporação. Ela sempre se sentiu que ser policial militar era sua vocação. Ao assistir ao filme Tropa de Elite (2007), ficou fascinado com a rotina operacional e localizou um objetivo: “Um dia farei um curso operacional”.

Nos anos anteriores, chegou a tentar o COR junto ao Batalhão de Rotam em Alagoas, mas precisou interromper uma jornada por motivos de saúde. A militar foi danificada com rabdomiólise, síndrome grave caracterizada pela ruptura do tecido muscular esquelético e pela destruição das fibras musculares. A interrupção, porém, não significou o fim do sonho.

O raio conquistado em Sergipe é o segundo da trajetória do sargento. No jargão dos chamados “raiados”, ela acaba de se tornar uma “bi-raiada”. A primeira conquista foi em setembro de 2025, quando Kadjyla foi uma das 35 concluintes — e a única policial feminina — da segunda turma do Curso de Força Tática (CFT) da PM-AL, que iniciou com 53 membros.

Assim que concluiu o CFT, a sargento tomou conhecimento do edital para o curso na coirmã sergipana. Ela afirma que o apoio recebido do PM, dos colegas e dos superiores foi fundamental. Superado mais um desafio, garante que a meta é continuar buscando aperfeiçoamento contínuo.

Força, energia e rapidez: o raio como símbolo

“O próprio desafio de buscar um curso dessa natureza é de grande complexidade. Todos os cursos que abordam essa matéria de patrulhamento técnico especializado são cursos muito complexos, de uma voga muito alta e que exigem do aluno um altíssimo nível não somente técnico, mas de resiliência física e mental. Então, buscar o segundo raio, como ela fez, é buscar mais uma modalidade de patrulhamento especializado”, destacou o capitão Grangeiro, que esteve ao lado do sargento Kadjyla e do capitão Assis no curso de Força Tática da PM-AL em 2025.

"O raio vermelho trisseccionado representa força, energia e rapidez. Por isso, simboliza os cursos de patrulhamento tático especializado", explicou o capitão Grangeiro.

Segundo ele, o sargento Kadjyla agora está habilitado a propagar, defender e ministrar instruções em todas as modalidades abordadas pelo Batalhão de Rotam (Ronda Ostensiva Tática Motorizada). O subcomandante destacou ainda que os militares também passam a atuar como agente multiplicador.

II COR PMSE

Com duração de 49 dias e carga horária de 488 horas-aula, o curso foi desenvolvido prioritariamente nas instalações da Academia de Polícia Civil de Sergipe (Acadepol), em Aracaju. A formação submeteu os participantes a intensas atividades físicas, técnicas e psicológicas, voltadas ao aperfeiçoamento do patrulhamento tático especializado.

Um dos diferenciais desta edição foi a realização de uma etapa de instrução fora do território sergipano. Entre os dias 30 de maio e 12 de junho, os alunos participaram de uma visita técnica à sede da Força Nacional de Segurança Pública, em Brasília (DF), onde tiveram acesso a novas doutrinas operacionais, conhecimentos e treinamento especializado.