Alagoas

Doação de órgãos no HGE pode beneficiar quatro pacientes à espera de transplante

Captação realizada em Maceió incluiu dois rins, fígado e uma córnea; Alagoas tem 617 pessoas na fila por órgãos e tecidos

Agência Alagoas 18/06/2026
Doação de órgãos no HGE pode beneficiar quatro pacientes à espera de transplante
Captação de órgãos no HGE pode beneficiar quatro pacientes à espera de transplante em Alagoas - Foto: Thallysson Alves / Ascom HGE

Em meio à dor profunda da perda, uma família encontrou forças para transformar a despedida em esperança. Nesta quarta-feira (17), o Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió, realizou mais uma coleta de órgãos que poderão mudar a vida de quatro pessoas que aguardam por um transplante.

O doador foi um homem de 26 anos, vítima de um acidente de trânsito que evoluiu para morte encefálica, confirmado segundo protocolos rigorosos estabelecidos pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Diante de um dos momentos mais difíceis, a família autorizou a captação, tornando possível a doação de dois enxágues, do fígado e de uma córnea.

“Esse gesto permitiu que quatro pessoas recebessem uma nova oportunidade de reescrever suas vidas. Mas, em Alagoas, ainda temos 617 pessoas aguardando por um órgão ou tecido. São 559 pacientes à espera de uma córnea, 42 precisando de transplante de rim e 16 aguardando um fígado. E, por trás de cada número, existe um nome, uma família, amigos, sonhos interrompidos e a expectativa romântica por uma ligação capaz de mudar tudo”, pontudou o coordenador da Central de Transplantes de Alagoas, Daniela Ramos.

Critérios rígidos

A realização de uma ação envolve um trabalho minucioso, ético e altamente especializado. Desde a identificação do potencial doador até a efetivação do transplante, todas as etapas seguem protocolos específicos previstos na legislação brasileira.

O médico coordenador da Organização de Procura de Órgãos (OPO), Lucas Santa, explica que a confirmação da morte encefálica ocorre somente após uma série de exames e avaliações realizadas por médicos habilitados, sem qualquer relação com as equipes transplantadoras.

Após a conclusão do diagnóstico, a família é acolhida e recebe todas as informações necessárias para compreender o processo e tomar sua decisão de forma consciente e respeitosa.

“Quando conseguimos a autorização, iniciamos uma verdadeira força-tarefa. Os nossos profissionais da OPO, da Central de Transplantes e a equipe do hospital, nesse caso do HGE, se envolvem para que tudo possa acontecer com segurança, ética e respeito. São médicos, enfermeiros, anestesistas, profissionais da logística e diversos outros trabalhadores da saúde que atuam de forma integrada para garantir que cada etapa seja realizada com habilidade”, informou o médico.

Para os profissionais que participam da coleta, o sentimento é sempre de respeito à família doadora e de esperança para aqueles que aguardam um transplante. O médico diretor do HGE, Miquéias Damasceno, destaca que cada decisão representa a possibilidade concreta de reduzir o sofrimento de pacientes que enfrentam doenças graves e dependem desse gesto para continuar vivendo.

"O HGE agradece profundamente à família que, mesmo enfrentando uma perda irreparável, permitiu que a vida florescesse para outras pessoas. A decisão tomada por eles deixa um legado de solidariedade capaz de atravessar gerações e inspirar outras famílias a conversarem sobre a doação de órgãos", enalteceu o gestor.

Como ser um doador de órgãos

No Brasil, conforme estabelece o Ministério da Saúde, qualquer pessoa pode ser doadora de órgãos após a morte. No entanto, para que a doação aconteça, é fundamental comunicar esse desejo à família. São os familiares que autorizam o procedimento após a confirmação da morte encefálica.

"Por isso, reforçamos a importância de conversar sobre o tema em casa. Uma simples declaração de vontade pode fazer toda a diferença caso, infelizmente, surja o momento de tomar essa decisão", declarou um coordenadora da Central de Transplantes de Alagoas.

A doação de órgãos é um dos maiores atos de amor ao próximo. É uma possibilidade de transformar uma perda em esperança, devolver qualidade de vida a quem espera por um transplante e permitir que parte da história de alguém continue vivendo em outras pessoas.