Alagoas

Evento da Secria debate impactos das violências digitais na infância e adolescência

Especialistas e autoridades discutem exposição nas redes, violência psicológica e estratégias de proteção

26/05/2026
Evento da Secria debate impactos das violências digitais na infância e adolescência
Evento da Secria reúne especialistas para debater proteção digital de crianças e adolescentes em Alagoas. - Foto: Ascom Secria

A Secretaria de Estado da Primeira Infância (Secria) promoveu, nesta segunda-feira (25), no Centro de Convenções de Maceió, em Jaraguá, o evento “Proteção Digital e Garantia de Direitos” . O objetivo foi discutir os impactos das violências digitais na infância e adolescência, além dos desafios para a proteção em um cenário cada vez mais conectado à internet.

Realizada em parceria com a Secretaria de Estado do Planejamento, Gestão e Patrimônio (Seplag), a iniciativa reuniu mais de 400 participantes, incluindo autoridades, representantes da sociedade civil e profissionais de diversas áreas.

Com mais de 20 anos de experiência em educação, a educadora e ativista Sheylli Caleffi contribuiu com a palestra “Internet e Riscos: os novos desafios da infância” , abordando temas como exposição excessiva nas redes sociais, violência psicológica, aliciamento virtual, exploração sexual online e os impactos do ambiente digital no desenvolvimento emocional de crianças e adolescentes.

A palestrante destacou a rapidez com que as plataformas digitais transformam as relações sociais, sem que a sociedade esteja preparada para proteger crianças e adolescentes nesse novo ambiente.

"O celular chegou antes da educação digital. Hoje, muitas famílias entregam acesso irrestrito à internet sem compreender os riscos envolvidos. Isso cria uma infância superexposta e extremamente vulnerável", alertou.

Sheylli Caleffi também ressaltou a necessidade de abandonar a ideia de que a violência sexual ocorre apenas fora de casa ou em ambientes físicos. "Grande parte dos crimes hoje atravessa a tela. O agressor não precisa mais estar próximo fisicamente para manipular, ameaçar ou violentar uma criança", enfatizou.

Proteção exige articulação entre diferentes áreas

Na abertura do evento, a secretária da Primeira Infância, Caroline Leite, destacou que o enfrentamento às violências digitais exige atuação conjunta entre diferentes setores do poder público. "Não existe proteção integral sem trabalho em rede. Quando saúde, assistência social, educação, segurança pública e sistema de justiça caminham juntos, conseguimos oferecer respostas mais rápidas e mais humanas para crianças e adolescentes", afirmou.

A segurança também defendeu que a proteção digital deve ir além das ações pontuais e ser incorporada ao cotidiano das instituições, famílias e escolas. "Estamos falando sobre direitos, saúde emocional, desenvolvimento infantil e preservação da vida. A internet atravessa todas essas áreas e, por isso, essa discussão precisa ser diária, coletiva e permanente", acrescentou.

Alagoas como referência na construção de protocolos

Durante sua passagem por Alagoas, Sheylli Caleffi elogiou o funcionamento do fluxo integrado de atendimento a crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência, políticas que articulam diferentes órgãos no acolhimento e encaminhamento dos casos.

"Conhecer o fluxo de atendimento de Alagoas foi algo que realmente me marcou. É raro encontrar uma rede tão organizada e comprometida em garantir que essa criança não seja revitimizada durante o processo", destacou.

A educadora avaliou que o estado tem avançado na construção de políticas públicas voltadas à proteção da infância. "Alagoas demonstra que é possível tratar esse tema com responsabilidade e integração entre as instituições. O estado sai na frente ao compreender que a proteção não acontece de forma isolada", apontou.

A programação conta ainda com o apoio da Secretaria de Estado da Cidadania e da Pessoa com Deficiência (Secdef), Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP), Secretaria de Estado de Prevenção à Violência (Seprev), Secretaria de Estado da Assistência e Desenvolvimento Social (Seades) e Secretaria de Estado da Saúde (Sesau).