Alagoas
Egressos de Produção de Moda projetam Alagoas para o Brasil e o mundo
Curso tem ajudado a aprimorar talentos, estimulando a criação de peças autênticas que valorizam técnicas e manifestações tipicamente alagoanas
Peças criadas em Alagoas, por gente alagoana, ganhando o Brasil e o mundo. Há mais de uma década, o curso de Produção de Moda da Escola Técnica de Artes (ETA) da Ufal tem ajudado a revelar e a profissionalizar talentos que encontraram na área uma forma de se expressar e também de fazer carreira profissional.
Dely Teodoro é um deles. Maceioense do bairro de Bebedouro, ele conta que sempre trabalhou com moda desde o primeiro emprego, mas que não planejou seguir os rumos que tem trilhado atualmente.
Apesar de não ter sido planejado, o talento do egresso da Ufal o tem levado para caminhos que reconhecem a originalidade e a qualidade de seu processo criativo. Várias de suas peças autorais vestem a cantora Anitta em clipes de seu novo single, lançado este ano. Além dela, Marina Sena, Pabllo Vittar, Jade Picon, Deborah Secco, Gaby Amarantos, Rachel Reis, Bruna Gonçalves e Lia Klark também já vestiram peças exclusivas criadas pelo alagoano.
Ao comentar sobre seu processo criativo, que desperta o interesse de tantos artistas, Dely afirma que gosta de expressar sentimentos. “Tal qual a variedade de peças são os sentimentos que eu tento colocar em cada uma. Algumas peças nascem da necessidade de se expressar além das palavras e acabo usando elementos para me ajudar a contar tais coisas. Certa vez, estava me sentindo ‘aos cacos’ e o material utilizado para criar foram cacos de quartzo, que transformei numa escultura em forma de busto. ‘Que do meu caos, sempre nasçam flores’”, detalha.
Com uma habilidade nata para as produções de moda, o estilista reconhece a importância do estudo e do processo de profissionalização. “Eu já tinha uma bagagem na área, e o curso na Ufal me possibilitou refinar o conhecimento e fazer novos contatos, além de ter sido o berço da D.lyvar”, diz ele. A marca autoral, que existe há cinco anos, é resultado de seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), sob orientação da professora Lili Menezes. No trabalho, Dely fez toda a concepção da marca, com desenvolvimento, posicionamento, delimitação de concorrentes e público-alvo, além de estratégias de divulgação, produção de peças e editorial.
Ultrapassando as barreiras geográficas e fazendo com que suas peças autorais ganhem repercussão em escala internacional, Dely conta que, atualmente, dedica-se exclusivamente para o trabalho de sua marca. Para os que querem seguir carreira na área, ele motiva: “Se você não acreditar na sua capacidade, ninguém vai. Construa com energia positiva tudo o que você criar e atire como uma flecha”.
De Alagoas para a Irlanda
Da cidade da Barra de Santo Antônio, em Alagoas, para a Irlanda, na Europa. Michaele Ferreira é outra egressa do curso de Produção de Moda que conquistou seu espaço, valorizando as raízes alagoanas em suas produções.
Ela conta que, desde os nove anos de idade, sonhava em trabalhar com moda. “Quando era criança não tinha ainda uma ideia clara sobre todas as áreas que poderia atuar, pensava apenas em ser estilista ou designer de moda. No curso de produção de moda da ETA Ufal, eu me encontrei. Vi várias áreas e caminhos que um profissional da moda poderia atuar e foi pela produção de moda e styling que me apaixonei!”, afirma.
Michaele explica que atua no ‘aprimoramento’ do estilo de peças autorais. “Após a criação pelo estilista, eu vou lá e coloco os acessórios que podem compor aquela cena, pensando na coerência do desfile, do ensaio fotográfico. Nas minhas assinaturas, sempre gostei de utilizar objetos e elementos não óbvios na moda, com uma estética mais ‘limpa’ e prezando coerência e narrativa. Além disso, utilizo elementos que fizeram parte da minha infância, história e vivências. Gosto que tenha um pouco de mim em cada trabalho. Acho que ser stylist é isto: contar histórias através da roupa”, diz.
E foi essa perspectiva alagoana que a egressa da Ufal levou para a Irlanda, no final do ano de 2021, onde teve a oportunidade de trabalhar com produção de moda. “Foi super desafiador, mas, ao mesmo tempo, empolgante. Desafiador por estar em um novo país, com outra língua e produzindo com marcas que nunca havia feito antes aqui no Brasil”, lembra ela.
Apesar da imagem de glamour que a área mostra e desperta, ela destaca a importância da profissionalização. “Muita gente acha que trabalhar com moda é somente montar looks bonitos e estilosos, mas a formação nos ensina que é muito mais que isso. É teoria, conceitos, história… E tudo isso me fez ser uma profissional mais completa e segura”, ressalta.
E acrescenta: “Ter tido uma formação me ajudou muito a ter mais segurança no que eu estava fazendo e sem dúvidas foi um enorme diferencial, porque todos stylists que conheci lá [na Irlanda] não tinham formação em produção de moda. Eles sempre ficavam curiosos para saber como era o curso, quais matérias a gente estudava aqui. Então, com certeza, foi um enorme diferencial”.
Hoje, Michaele conta que consegue viver do seu trabalho com moda, buscando diversificar sua atuação fazendo desfiles, ensaios para marcas ou para profissionais que desejam comunicar uma imagem melhor nas redes sociais, atendendo, inclusive, fora do estado e do país.
Ela cita os desafios do mercado de trabalho, mas sua história mostra como o fato de fazer o que se gosta motiva a superar as dificuldades. “Na nossa área ainda há muitos desafios, elitismo e desigualdades, mas nós precisamos ocupar esses espaços e estudar é um dos principais caminhos”, afirma.
Para os que ainda estão batalhando para conquistar o seu espaço, ela destaca a importância do estudo. “Se trabalhar com moda é o seu sonho, não desista, acredite e corra atrás! Meu conselho para quem está pensando em entrar na área é: estude! Eu sou do interior e fui a primeira da família a entrar na universidade pública: cursei Filosofia na Ufal, além do curso técnico em Produção de Moda. Se eu não tivesse acreditado no poder dos estudos, com certeza, eu não chegaria onde cheguei”, conclui.
Profissional da moda
Ao revelar e profissionalizar talentos alagoanos, o curso de Produção de Moda da Escola Técnica de Artes da Ufal contribui também para o aprimoramento do mercado de trabalho e valorização dos estilistas locais, além de projetar a cultura de Alagoas, apresentando seus potenciais e diferenciais em diversas áreas de atuação do setor da moda.
“O curso foi pioneiro em Alagoas, tanto para estudantes interessados no setor quanto para profissionais que já atuavam de maneira empírica. A formação sempre ressaltou, em diferentes disciplinas, a importância de vincular a produção de moda com a cultura local, entendendo sempre que moda vai além de roupas, é uma forma de expressão, e nada mais original que expressar ‘o nosso jeito’”, destaca a professora Lili Menezes, vice-coordenadora do curso.
E ressalta: “Essa forma de fazer moda nos tomando como referencial, a partir das nossas técnicas e manifestações, resulta em imagens e produtos de moda exclusivos que sobressaem nas esferas local, nacional e, por vezes, internacional. Estimular essa autenticidade tem sido um caminho percorrido pelo curso”.
A formação ofertada pela Ufal defende a importância da profissionalização, mostrando que é possível trabalhar com produção de moda e suprir lacunas por meio da originalidade das representações tipicamente alagoanas. De acordo com Lili, grande parte dos egressos estão criando suas próprias marcas, como foi o caso de Dely Teodoro; outros atuam como consultores de imagem, visual merchandisers, produtores de moda, stylists (assim como a Michaele Ferreira), assessores e produtores de conteúdo de moda, além de figurinistas em produções de audiovisual.
“O campo da moda é muito vasto, com diferentes possibilidades de atuação. Percebemos no nosso mercado uma carência de marcas de moda autoral, que falassem da nossa identidade; bem como da construção de imagens de moda, seja em vitrines, em desfiles, em editoriais, em publicidades que proporcionasse reconhecimento. Tanto marcas quanto imagens vinham prontas de fora do nosso estado e não geravam identificação, aproximação. Ao perceber isso, o mercado começou a abrir as portas para os profissionais locais. Esse é um movimento que acontece aos poucos e está em processo”, comenta Lili.
Formação
O curso técnico de Produção de Moda da ETA Ufal tem duração de dois anos. As disciplinas ofertadas englobam conteúdos sobre História e Produção Cultural, Mercado de Moda, Tecnologia e Produção de Moda, além de Tecnologia Têxtil.
Para ingressar no curso, deve-se participar de um processo seletivo realizado pelo Núcleo Executivo de Processos Seletivos (Neps/Copeve).
Para saber mais, clique aqui.
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