Alagoas

Alagoas Lilás: Percurso Formativo Territorial conclui ciclo de capacitação para atendimento às mulheres vítimas de violência

Pedro Acioli/Ascom Semu 17/04/2026
Alagoas Lilás: Percurso Formativo Territorial conclui ciclo de capacitação para atendimento às mulheres vítimas de violência
Ação percorreu todas as regiões do estado, com o objetivo de capacitar profissionais - Foto: Ascom Semu

O Percurso Formativo Territorial do Alagoas Lilás, iniciativa da Secretaria de Estado da Mulher de Alagoas (Semu), foi concluído nesta semana com a última etapa realizada no município de Pilar, na Região Metropolitana de Maceió. Ao longo do ciclo, a ação percorreu todas as regiões do estado, com o objetivo de capacitar profissionais e fortalecer a atuação dos órgãos e serviços de todo o estado que prestam assistência às mulheres em situação de violência.

Foram 17 edições voltadas ao aprimoramento dos fluxos e a maior agilidade no atendimento, além da qualificação do acolhimento às vítimas. A formação é conduzida com a participação de especialistas de institutos como o Geni e o Natura, que atuam no fortalecimento das capacidades do estado, além de psicólogos do Centro Especializado de Atendimento à Mulher (Ceam).

Uma dessas profissionais do Ceam – que terá o nome preservado –  participou da etapa em Maceió e explica que a principal meta do Percurso Formativo Territorial é garantir um atendimento ético, humanizado e eficaz às mulheres em situação de violência.

“As capacitações permitem aos profissionais que compreendam a violência como um fenômeno complexo e multifatorial, e não apenas um evento isolado; evitem práticas de revitimização, como culpabilização ou julgamento da vítima; atuem com base em protocolos e legislações vigentes, como a Lei Maria da Penha; e desenvolvam habilidades para identificar riscos iminentes, acolhendo adequadamente e encaminhando de forma segura”, detalha.

 

Metodologias e conteúdos


Para capacitar as servidoras, as formadoras costumam utilizar metodologias teórico-práticas, ou seja, que busquem priorizar a aplicação no cotidiano dos serviços. Entre elas, existem alguns conteúdos que são mais abordados, como: 

 

- Tipos e ciclos da violência (física, psicológica, moral, patrimonial, sexual);

- Dinâmica da violência doméstica e de gênero;

- Rede de proteção e fluxos de encaminhamento;

- Escuta qualificada e acolhimento;

- Avaliação de risco e medidas protetivas;

- Aspectos legais (especialmente a Lei Maria da Penha);

- Impactos psicológicos do trauma.

Ao final, a qualificação impacta diretamente na qualidade do acolhimento, já que promove uma escuta qualificada, em que o profissional aprende a ouvir sem julgamento, validando a experiência da mulher. Além disso, traz uma postura empática e ética que reduz abordagens culpabilizadas ou invasivas.

“Também há segurança no manejo de crise, com um melhor preparo para situações de risco. Respeito ao tempo da vítima, compreendendo que o rompimento do ciclo de violência é um processo, e um encaminhamento adequado, garantindo acesso aos serviços certos no momento certo”, disse a profissional. 

Para a integrante do Ceam, toda a metodologia e os conteúdos utilizados podem também aumentar a adesão às medidas de proteção. “Isso contribui para que a mulher se sinta segura, respeitada e fortalecida, o que aumenta a adesão ao acompanhamento e às medidas de proteção”, explica. 

Integração entre os órgãos

 

Uma das estratégias para o aprimoramento do acolhimento às mulheres é a integração entre os órgãos, um elemento essencial que ocorre por meio da chamada rede de enfrentamento à violência contra a mulher.

Essa rede pode envolver saúde, assistência social, segurança pública, sistema de justiça e organizações de apoio. E o funcionamento ocorre por meio de fluxos de encaminhamento bem definidos, evitando que a mulher fique “perdida” entre os serviços.

Na integração, há a comunicação interinstitucional para garantir a continuidade do atendimento, além de reuniões de rede voltadas à discussão de casos e ao alinhamento de estratégias. Também são adotados protocolos conjuntos, que orientam a atuação integrada, e o compartilhamento responsável de informações, sempre com respeito ao sigilo.

“Essa articulação possibilita um atendimento mais completo, contínuo e efetivo, reduzindo falhas e fortalecendo a proteção da mulher”, afirma a integrante do Centro Especializado de Atendimento à Mulher.

Como funcionou o Percurso Formativo Territorial pelo estado 

 

Com a conclusão da edição em Pilar, nos primeiros meses de 2026, o Percurso Formativo Territorial passou por todas as regiões de Alagoas ao longo de 17 etapas e alcançou uma adesão de 97% dos municípios de Alagoas. Em cada uma delas, um município-sede foi definido, recebendo representantes de cidades vizinhas para capacitação.

Nesta semana, Pilar foi escolhida como cidade-sede e, juntamente com as cidades de Marechal Deodoro, Barra de São Miguel, Rio Largo, Flexeiras, Messias, São José da Laje, teve profissionais dos órgãos dos municípios qualificados. 

Resultados e próximos passos

Para a Superintendente de Políticas para Mulheres na Secretaria de Estado da Mulher de Alagoas, Izabelly Keline, com o fim do primeiro módulo de qualificações, a expectativa é a diminuição no processo de sofrimento contínuo das vítimas, geralmente causado por procedimentos institucionais insensíveis, além da prevenção de violência. 

 

“A nossa intenção é que tenha uma redução na revitimização, a melhoria na qualidade do atendimento e uma ampliação do acesso das mulheres aos serviços. Então, com isso, acredito que a gente consegue prevenir a violência e reduzir os feminicídios em todo o estado”, destaca a superintendente. 

 

Ainda de acordo com Izabelly, a próxima etapa está prevista para ocorrer entre junho e agosto, com a participação de dois representantes de cada município que integrou o programa. 

 

“Vão ser selecionadas duas pessoas de cada município que participou da política do Alagoas Lilás. Essas pessoas irão passar por um outro tipo de formação, que é o da rota crítica, e elas vão ser multiplicadoras da política no município delas”, afirmou. 


 Alagoas Lilás

 

Instituído pelo Governo de Alagoas em 1º de agosto de 2025, o Alagoas Lilás é a primeira política pública estadual permanente do Brasil voltada ao enfrentamento da violência doméstica contra a mulher. A iniciativa tem como objetivo fortalecer a rede de proteção, humanizar o acolhimento, reduzir os casos de feminicídio e integrar os 102 municípios alagoanos por meio de ações de prevenção, proteção e apoio especializado.