Alagoas

Alagoas debate o papel dos arquivos como instrumentos de democracia e cidadania

1ª Conferência Estadual de Arquivos reúne especialistas e sociedade para fortalecer transparência e direitos

Manuelle Gouveia/Ascom Gabinete Civil 16/04/2026
Alagoas debate o papel dos arquivos como instrumentos de democracia e cidadania
Gestores e sociedade debatem o papel dos arquivos para a democracia e cidadania em Alagoas. - Foto: Ascom Gabinete Civil

Democracia e cidadania estão diretamente ligadas à preservação dos arquivos públicos. Com esse objetivo, Alagoas promoveu, nesta quinta-feira (16), a 1ª Conferência Estadual de Arquivos, reunindo gestores, arquivistas e representantes da sociedade civil no Centro de Convenções Ruth Cardoso, em Jaraguá. O evento integrou a 2ª Conferência Nacional de Arquivos (CNArq) e consolidou propostas para a nova Política Nacional de Arquivos.

Organizada pelo Arquivo Público de Alagoas (APA), uma conferência discutiu temas que abrangeram desde o marco legal até a transparência pública. Representando o secretário-chefe do Gabinete Civil, Felipe Cordeiro, a chefe de gabinete Elen Oliveira destacou a importância da preservação da memória coletiva. "A realização desta 1ª Conferência como contribuição à nova política é histórica e simbólica para o Governo de Alagoas. Um dado marca os 65 anos do Arquivo Público do Estado, que conta com o trabalho dedicado de pessoas que preservam a memória", afirmou.

De acordo com a superintendente da APA, Wilma Nóbrega, a preservação documental é essencial para a transparência administrativa, o controle social, a garantia de direitos e a consolidação da democracia. “O cidadão encontra nos arquivos um acervo que reúne a memória documental nos aspectos sociais, culturais e políticos, permitindo o livre acesso a esses registros”, ressaltou.

Para promover o pensamento crítico, o professor de pós-graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Daniel Flores, abriu uma conferência com a palestra “Arquivos: agentes da cidadania e da democracia”. “Nossa proposta é refletir sobre o contexto regional, do Nordeste e de Alagoas, identificando potencialidades e desafios para apresentar propostas que atendam às demandas dos nossos arquivos”, explicou.

O chefe substituto do escritório Regional Nordeste do Arquivo Público Nacional, Isaías Santana, acompanhou o evento e reforçou a importância da participação social. “A sociedade deve estar presente na construção da memória e da história, garantindo que aquilo que lhe diz respeito seja preservado”, destacou.

Durante o evento, os participantes discutiram seis eixos temáticos voltados ao fortalecimento da gestão documental como instrumento de garantia de direitos: “Marco Legal, Governança Arquivística e Perspectivas para uma Política”; “Gestão de Documentos como Infraestrutura Democrática”; “Preservação e Patrimônio Arquivístico”; “Acesso, Transparência, Inclusão e Promoção da Cidadania”; “Condições de Trabalho nos Arquivos, Ensino e Pesquisa em Arquivologia”; e “Arquivos Privados e Comunitários, Pluralidade da Memória e Interesse Público e Social”.

O historiador e paleógrafo Jafther Nohan, participante do primeiro eixo, enfatizou a importância do encontro para profissionais e cidadãos. “A conferência nos permite vislumbrar um futuro melhor para o resgate da memória do povo alagoano e para a acessibilidade dessas informações”, inspirou.

Após debates e votação, foram eleitos 16 delegados que representarão Alagoas na etapa nacional, prevista para maio de 2026, em Brasília. São eles: Wilma Nóbrega, Laís de Oliveira, Gian Carlo, Suliane Leal, Edvanio Duarte, Mariana Marques, Fabiana Mariano, Tarcyelma Lira, Karen Rosa, Nestor Alves, Josias Lima, Alessandro Honorato, Sandreany Alves, Maria Cristina Nascimento, Oseas Batista e Marcelo Góes.

A 1ª Conferência Estadual de Arquivos foi realizada pelo Arquivo Público de Alagoas (APA), órgão vinculado ao Gabinete Civil do Estado, em parceria com a Imprensa Oficial do Estado de Alagoas, o Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ-AL), a Universidade Federal de Alagoas (UFAL), o Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas (IHGAL) e a Prefeitura de São José da Laje.