Alagoas
JHC move nova queixa-crime contra advogada e amplia ofensiva judicial sobre denúncias ligadas ao caso Master
Ação pede remoção de comentários, proibição de novas postagens e multa diária de R$ 10 mil, reforçando a percepção de uso do Judiciário para conter a circulação de informações de interesse público
O ex-prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, o JHC, protocolou nesta quinta-feira, 9 de abril, uma nova queixa-crime contra a advogada Adriana Mangabeira Wanderley, em mais um capítulo da escalada judicial em torno das denúncias e comentários públicos relacionados ao caso Banco Master. Na ação, ele a acusa de difamação e calúnia por comentários feitos no Instagram em uma publicação de veículo de imprensa e pede, além do processamento criminal, a retirada imediata do conteúdo e a proibição de novas manifestações semelhantes.
Segundo a petição, os comentários atribuídos a Adriana foram feitos em 31 de março, no perfil da Folha de Alagoas, e associam JHC ao banqueiro Daniel Vorcaro, mencionam uso de aeronaves e o investimento de R$ 117 milhões de recursos dos aposentados de Maceió no Banco Master. A defesa do ex-prefeito sustenta que as falas são “inverídicas e criminosas” e tenta apresentar a advogada como parte de uma campanha reiterada de ataques à sua honra.
Mas o que salta aos olhos no novo processo não é apenas a reação judicial em si. É o fato de que, mais uma vez, o caminho escolhido não é o do esclarecimento público amplo sobre um tema que interessa diretamente à sociedade alagoana. Em vez de rebater politicamente as denúncias no debate público, explicar os fatos e enfrentar os questionamentos sobre o destino do dinheiro investido pelo Iprev de Maceió no Banco Master, a resposta segue vindo pela via da criminalização de quem fala, comenta, denuncia ou questiona nas redes sociais.
A própria peça deixa isso claro ao pedir que a Meta remova os comentários apontados como ofensivos e que Adriana seja obrigada a se abster de fazer novas publicações, postagens ou comentários, em redes sociais ou em qualquer outro meio de comunicação, que repitam o mesmo conteúdo, sob pena de multa diária de R$ 10 mil. Ou seja, não se busca apenas discutir a licitude de uma fala passada, mas impedir a continuidade da repercussão do tema.
Outro ponto relevante é que a petição registra expressamente o desinteresse na realização de audiência preliminar de reconciliação, pedindo que o processo siga diretamente para recebimento da queixa-crime. O gesto reforça a opção por uma linha de endurecimento judicial, sem qualquer sinal de composição ou de tentativa de solução pelo diálogo.
No mérito, a defesa de JHC sustenta que o Iprev é uma autarquia com autonomia administrativa e financeira e que as decisões de investimento não seriam atos pessoais do prefeito. Também afirma que não há vínculo entre o ex-gestor e o Banco Master e que a associação promovida nos comentários seria uma fabricação narrativa ofensiva.
O problema político e institucional, contudo, continua de pé. O caso envolve um investimento milionário de recursos previdenciários em um banco que se tornou centro de forte controvérsia, e a sociedade segue esperando respostas objetivas, transparentes e convincentes. É esse o núcleo do interesse público: saber o que ocorreu, quais foram as responsabilidades, qual a situação dos valores aplicados e por que o episódio continua produzindo tantas perguntas sem respostas à altura.
Nesse contexto, a nova queixa-crime contra Adriana Mangabeira tende a ser lida por críticos como mais uma tentativa de cercear a liberdade de expressão e de reduzir a publicidade de denúncias que seguem repercutindo nas redes sociais. Afinal, quando a reação predominante é acionar a Justiça para remover conteúdo e intimidar novas falas, em vez de enfrentar o debate com explicações públicas detalhadas, o efeito político inevitável é o de ampliar a suspeita e a insatisfação social.
A petição foi protocolada sob o número 0717250-63.2026.8.02.0001 e lista, inclusive, outras demandas judiciais sobre a mesma temática para sustentar a tese de reiteração. Também cita decisões liminares anteriores usadas para reforçar a tentativa de desvincular o nome de JHC do caso Master.
No fim das contas, a nova ação não encerra o debate. Ao contrário: reacende a discussão sobre os limites entre proteção da honra, liberdade de expressão e direito da sociedade de cobrar esclarecimentos quando o assunto envolve recursos públicos, aposentadorias e possíveis responsabilidades políticas.
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