Alagoas

Com toda formação acadêmica na Ufal, egressa se torna pesquisadora do setor nuclear

Catharina estudou no Instituto de Física (IF) e, hoje, atua na área de hidrogênio do Ipen, desenvolvendo pesquisas alinhadas às demandas da sociedade

Ascom Ufal 09/04/2026
Com toda formação acadêmica na Ufal, egressa se torna pesquisadora do setor nuclear
Catharina Batista de Araújo Catarina fez toda formação acadêmica no Instituto de Física da Ufal e, hoje, atua como pesquisadora na área de hidrogênio

Ser pesquisadora foi o sonho de Catharina de Araújo desde a infância. A dúvida era se seria na área de Matemática ou Física, disciplinas pelas quais sempre teve interesse. Ingressou na Universidade Federal de Alagoas (Ufal), em 2014, escolhendo pela graduação em Física. E era o que tinha de ser: fez mestrado, doutorado e pós-doutorado na Ufal. “Enxerguei que a Física é a minha paixão!”, destacou ela.

Com uma bagagem acadêmica sólida e muita determinação, recentemente, foi nomeada como pesquisadora do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), localizado no estado de São Paulo. O Ipen é uma instituição pública de pesquisa, desenvolvimento e ensino gerida pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Após passar por um concurso público difícil, com provas objetiva e oral, defesa de memorial, além da prova de títulos, Catharina passou a integrar o Centro de Células a Combustível e Hidrogênio, onde, ao conciliar as qualificações experimentais e teóricas, desenvolve pesquisas alinhadas às demandas da sociedade: “Mais precisamente, realizo pesquisas na parte de hidrogênio, vetor energético para ser usado em diversos setores. O potencial do Brasil atrai atenção dos outros países e pesquisas para o avanço das tecnologias nessa linha são essenciais. Fica meu o convite para os estudantes interessados nessas questões me procurarem nas redes”.

Grande orgulho da mãe e de familiares, a egressa da Ufal é a primeira da família com o título de doutorado. E nesse percurso para realizar seu sonho de criança, reconhece o papel da universidade federal alagoana, que, segundo ela, além da formação acadêmica, propiciou o contato com diferentes pontos de vista e trocas necessárias que contribuíram para sua visão sobre a importância do crescimento coletivo e para a construção de um futuro melhor.

“Sou ‘filha’ da Ufal, pois toda a minha formação foi construída nessa casa. É uma universidade que acolhe. Profissionalmente, hoje exerço a função que escolhi ainda na infância, e tenho muito orgulho das minhas raízes. A Ufal teve um papel fundamental nessa trajetória, não só na minha formação técnica e científica, mas também no meu desenvolvimento pessoal. As universidades federais, em geral, atuam como um promotor de mobilidade social”, afirmou. Ela ainda destacou o ambiente de cooperação encontrado no Instituto de Física (IF). “Os professores Italo Nunes e Vinícius Manzoni, especialmente, apresentaram-me as áreas de pesquisa pelas quais sou apaixonada e me proporcionaram o contato com outros profissionais”, destaca.

Para as meninas que, assim como ela, sonham com as exatas, mas tem receio de ingressar no curso, Catharina é sincera: “Quero dizer que o processo não é fácil. Alguns momentos pesarão mais”. No entanto, ela reforça a importância de perseverar, de não desistir. “Toda mulher carrega uma força que, muitas vezes, não conseguimos nem expressar em palavras. E é justamente essa força que, nesses momentos, se torna essencial para te fazer lembrar e não deixar morrer o sonho daquela menina de ser cientista. Além disso, existem grupos e profissionais dentro das universidades para apoiar. Não precisamos percorrer esse caminho sozinha”, incentiva.

Escolha pela carreira acadêmica

Até chegar ao sonhado cargo de pesquisadora, Catharina passou, pelo menos, 12 anos de estudos contínuos, considerando os anos de cursos regulares. E cada etapa foi marcada pela experiência de novos aprendizados. “Eu estava muito animada para iniciar novos projetos e, principalmente, explorar novas áreas de pesquisa”, lembra.

Ela recorda que, desde a graduação, participou como bolsista de atividades de pesquisa pelo Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic), sendo agraciada, inclusive, com o prêmio de excelência acadêmica. “Considero esse tipo de bolsa fundamental, principalmente nos primeiros períodos, pois ela não só insere o estudante em uma linha de pesquisa, como também funciona como um importante incentivo para manter a motivação diante dos percalços ao longo da graduação. Sendo uma política com missão afirmativa, ajuda a diminuir a evasão universitária e facilita o ingresso na pós-graduação”, comenta.

No mesmo dia em que colou grau, já se matriculou no mestrado. E o doutorado, na sequência, foi realizado no contexto da pandemia de covid-19. “Foi um período bastante desafiador para a comunidade, com muitas limitações e incertezas, mas que contribuiu significativamente para o meu amadurecimento, tanto pessoal quanto profissional. E vimos a necessidade do fomento à pesquisa científica e tecnológica”, relembra.

Durante o mestrado, Catharina se dedicou a pesquisar sobre dinâmica molecular, um método computacional que permite analisar a evolução de um sistema ao longo do tempo. “Em particular, estudei sistemas na fase líquido-cristalina, que são materiais presentes, por exemplo, nas telas LCD (liquid crystal display)”, explica. Já no doutorado, conta ela, a decisão foi mudar de área e ampliar os horizontes. “Minha tese foi voltada ao estudo de novos compostos orgânicos e de como eles respondem à variação do ambiente, como pH, temperatura e polaridade. Esse tipo de estudo possui aplicação direta no desenvolvimento de novos sensores”. Já o pós-doutorado foi voltado para o aprofundamento do estudo em métodos computacionais na área de Física Atômica e Molecula.