Alagoas
Ex-prefeito JHC judicializa críticas de advogada em redes sociais e tenta frear repercussão do escândalo do Banco Master
João Henrique Caldas ingressou com queixa-crime por calúnia e difamação, pede remoção de comentários no Instagram e quer proibir novas publicações da Adriana Mangabeira sobre o mesmo conteúdo
O ex-prefeito de Maceió, JHC, ingressou com uma queixa-crime contra a advogada Adriana Mangabeira Wanderley em mais um desdobramento judicial ligado ao caso Banco Master. A ação foi protocolada em 7 de abril de 2026, na Justiça de Alagoas, com acusação de supostas calúnia e difamação por comentários publicados pela advogada nas redes sociais sobre o episódio envolvendo recursos do Iprev Maceió.
De acordo com a petição, os comentários questionados teriam sido feitos em 3 de abril de 2026, no Instagram, em uma publicação de terceiro. Na peça, a defesa de JHC afirma que Adriana Mangabeira atribuiu ao então prefeito participação societária com o banqueiro Daniel Vorcaro em uma aeronave e associou a isso os R$ 117 milhões investidos pelo instituto previdenciário municipal. O documento também registra que a advogada escreveu que JHC “tem que ser preso” por suposto desvio desses recursos. As mensagens reproduzidas no processo aparecem anexadas à ação judicial.
Na queixa, os advogados do ex-prefeito sustentam que as declarações são falsas, ofensivas e desprovidas de comprovação. A defesa argumenta ainda que o Iprev possui autonomia administrativa e financeira, com decisões de investimento tomadas por comitê próprio, e não diretamente pelo chefe do Executivo. Também afirma que os comentários teriam sido feitos em ambiente de ampla divulgação, o que, segundo a ação, ampliaria os danos à imagem de JHC.
Mais do que pedir a abertura da ação penal, JHC requereu medidas cautelares. Entre elas, a remoção imediata dos comentários apontados como ofensivos, por meio de notificação à plataforma responsável pelo Instagram, e a proibição de novas publicações de Adriana Mangabeira com conteúdo semelhante, sob pena de multa diária de R$ 10 mil. A petição também deixa claro o desinteresse em audiência de conciliação, pedindo o prosseguimento direto do caso.
O conteúdo da ação reforça uma linha já adotada anteriormente por JHC em outras frentes judiciais: recorrer ao Judiciário para reagir a associações entre sua imagem e o caso Banco Master. No próprio texto da queixa, a defesa lista decisões e processos anteriores usados para sustentar a tese de que não haveria vínculo entre o ex-prefeito e o banco, além de citar outras demandas já movidas contra a própria Adriana Mangabeira.
No centro do novo embate está uma advogada que se notabilizou por fazer críticas públicas duras e por cobrar responsabilização em temas sensíveis da vida política e administrativa de Maceió. Agora, ao se tornar alvo de mais uma iniciativa judicial, Adriana Mangabeira passa a ocupar novamente o foco de uma disputa que ultrapassa o plano pessoal e toca também no debate sobre os limites entre crítica política, responsabilização pública e tentativa de contenção de discursos incômodos.
Na prática, o novo movimento de JHC amplia a judicialização do caso e aprofunda o confronto com vozes críticas que vêm abordando o episódio do Banco Master. Se, de um lado, a defesa do ex-prefeito sustenta estar reagindo a acusações sem prova, de outro a iniciativa volta a produzir a leitura política de que há uma tentativa de retirar de circulação, inclusive nas redes sociais, manifestações que mantêm o tema em evidência. Essa interpretação ganha força sobretudo porque, além da responsabilização criminal, a ação busca apagar comentários já feitos e impedir novas postagens sobre o mesmo teor.
Vale lembrar que Adriana Mangabeira já havia travado outro embate judicial com JHC em 2025, em episódio também ligado a críticas públicas feitas por ela. Com a nova queixa-crime, o confronto entre os dois volta ao centro da cena, agora novamente embalado pelo pano de fundo do caso Banco Master e pelo uso do Judiciário como instrumento da disputa.
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