Alagoas
De pijama na política, Teo Vilela vai a Brasília com JHC tentar salvar PSDB em crise
Ex-líder, já fora das disputas eleitorais, articula entrada de JHC no partido, enquanto legenda luta contra risco real de extinção. Tem apenas 3 senadores e 19 deputados federais, e, precisa de candidatos para esses cargos
Mesmo fora das urnas e longe das disputas eleitorais, o ex-governador Teotonio Vilela voltou ao centro do tabuleiro político. Em movimento que revela mais desespero do que estratégia, ele assumiu a missão de tentar manter vivo o PSDB, um partido que já foi protagonista nacional e em Alagoas e hoje enfrenta risco concreto de desaparecimento.
A articulação passou por Brasília. Segundo o portal eassimcom.br Foi Teotonio quem conduziu o prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), a uma reunião com o deputado federal Aécio Neves, uma das últimas referências nacionais da legenda. O encontro, classificado como “positivo”, foi seguido por um gesto político simbólico: um jantar na residência do prefeito, consolidando a aproximação.
Um partido à beira do colapso
O pano de fundo da movimentação é preocupante.
O PSDB chega a 2026 reduzido a 3 senadores (de 81) e 19 deputados federais (de 513)
Números que colocam a legenda diretamente na zona de risco da cláusula de barreira, mecanismo que exige desempenho mínimo para acesso ao fundo partidário e tempo de rádio e televisão.
Sem atingir esse patamar, o partido entra em processo de inanição política: perde recursos, visibilidade e viabilidade eleitoral.
O “X da questão”: votos ou sobrevivência
É nesse ponto que entra o cálculo político.
Mais do que disputar governos estaduais, o PSDB precisa, com urgência, de votos proporcionais, especialmente para a Câmara Federal e também de candidaturas competitivas ao Senado.
E aqui reside a contradição central do movimento: o prefeito JHC ainda não definiu seu destino.
Embora seja tratado como pré-candidato ao Governo de Alagoas, evita assumir publicamente. Nos bastidores, sua postura é vista como estratégica, ou indecisa. Ele não nega, mas também não confirma. Apenas acena.
Uma eventual candidatura ao Senado, no entanto, poderia atender melhor aos interesses do partido, ajudando a legenda a cumprir a cláusula de barreira.
Do protagonismo ao resgate
A presença de Tetonio Vilela Filho nessa articulação é, por si só, simbólica.
Afastado das disputas eleitorais e já considerado fora do jogo, ele retorna como uma espécie de “bombeiro político”, tentando conter o avanço de uma crise que ameaça a própria existência do PSDB.
É o retrato de um partido que, sem novas lideranças consolidadas, recorre ao passado para tentar garantir o futuro.
Cenário indefinido até julho
Apesar da movimentação intensa, nada está fechado.
Até julho, quando ocorrem as convenções partidárias, o cenário pode mudar completamente. Federações, fusões, desistências e reconfigurações ainda estão no radar.
A política brasileira permite, e até estimula, esse tipo de reviravolta.
Mas uma coisa já está clara: o PSDB não disputa apenas uma eleição.
Disputa a própria sobrevivência. E para sobreviver precisa de deputados e senadores eleitos.
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