Alagoas
MPF deve analisar em 5 de janeiro denúncia de desvio do rio Jacarecica em 1,4 km
Relatório aponta alteração artificial na foz, erosão acelerada e ameaça à restinga no Litoral Norte
O curso do rio Jacarecica, em Maceió, teria sido alterado em aproximadamente 1,4 quilômetro após intervenções realizadas em uma área privada no Litoral Norte da capital alagoana. A mudança na foz do rio foi denunciada por entidades de moradores e organizações ambientais, que encaminharam um relatório ao Ministério Público Federal (MPF) em Alagoas. O órgão deve analisar o caso após o recesso, a partir de 5 de janeiro.
Segundo o documento, obras nas proximidades da AL-101 Norte, incluindo cercamento, aterramento e ocupação do terreno, teriam provocado o desvio artificial do curso das águas. A denúncia afirma que o rio passou a escoar por um novo trajeto, cerca de 1.400 metros distante da foz original, mudança considerada irregular e sem precedentes históricos para o sistema fluvial da região.
Ainda conforme o relatório, a alteração vem provocando processos erosivos intensos, com instabilidade nas margens e risco de colapso dos barrancos ao longo do novo percurso. As entidades alertam que a força da água, agora direcionada de forma diferente, pode agravar a degradação costeira e gerar impactos permanentes na dinâmica natural da área.
Além da erosão, o desvio também estaria avançando sobre a área de restinga, o que pode comprometer a integridade ambiental, ecológica e geomorfológica da região costeira. Especialistas apontam que a restinga é essencial para proteger a faixa litorânea e garantir a estabilidade das dunas, especialmente em áreas sob forte pressão da especulação imobiliária.
O professor Dilson Ferreira, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), explica que o rio Jacarecica transporta um grande volume de sedimentos — especialmente areia — que contribui diretamente para o equilíbrio do litoral. A alteração do curso pode comprometer essa dinâmica e aumentar o risco de impactos ambientais em cadeia.
As informações foram divulgadas pelo jornalista Carlos Madeiro, do UOL, e reforçam a preocupação de moradores e ambientalistas com o avanço de intervenções urbanísticas em áreas sensíveis da costa alagoana.
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