quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2019

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Palmeira dos Índios “Bravamente resistindo à maldição política”

Não gosto de lembrar dos tempos em que a nossa Palmeira dos Índios ( então princesa do Sertão) era cantada e saudada como o “paraíso do interior alagoano”, “município modelo nacional” e outros títulos por suas características de progresso e administrações responsáveis. Acomete-me dois sentimentos: saudade e raiva. Há muito deixei de ir a Palmeira todos os fins de semana, depois todos os meses e por fim já nem mais todos os anos, para evitar essa frustração e revolta que me acometem a cada vez que ia visitar a família e os amigos.

Ao longo dos anos a cidade foi passando por uma degradação sucessiva, aniquilando seus valores culturais, sua pujança comercial e empresarial, suas culturas agrícolas e muito mais a autoestima de seu povo, que parece resolveu se “entregar” diante do inevitável.

A começar por Arapiraca, hoje o maior centro de negócios e desenvolvimento do interior, outros municípios ultrapassaram o lugar antes ocupado pela terra palmeirense, a exemplo de Delmiro Gouveia, Rio Largo, Santana de Ipanema e União dos Palmares, para citar alguns.

Pelo equivoco do voto ou mesmo até pela falta de opções (os cidadãos de bem não se dispõem a entrar na política, ficando para os aventureiros e profissionais do ramo) o município tem sofrido com administrações desastrosas, incompetentes, viciadas e desonestas.

Parece-me que ao findar a segunda administração do prefeito Jota Duarte, (o maior prefeito da história palmeirense) na década de 70, daí em diante vieram sucessivas gestões que apenas contribuíram para o desastre administrativo de hoje, salvo uma ou outra, mesmo assim sem relevância a registrar.

Palmeira perdeu sua identidade política e com isso sua força diante dos governos que se sucederam no estado. Então com uma bancada representativa na Câmara Federal, quatro deputados estaduais em uma única legislatura, um vice-governador forte (Juca Sampaio) hoje reduzida a uma deputada que não é palmeirense, Ângela Garrota (ex-prefeita de Estrela de Alagoas), muito embora tenha tido ai a base de sua eleição e o jovem deputado Marcelo Victor, palmeirense eleito presidente da Assembleia Legislativa, cuja grande votação foi conquistada por seu trabalho em diversos municípios e graças a sua capacidade de articulação. Mesmo sendo palmeirense não teve apoio de nenhuma liderança local, que preferiram “negociar” apoios com “estranhos promissores”. Se dependesse de Palmeira não seria eleito, então não entra na conta palmeirense. É um deputado de Alagoas.

Voltando ao assunto administração municipal após anos de caos absoluto na gestão do município surge em 2016 um nome que chamou a atenção do eleitorado. Cidadão pobre, homem do povo, filho de uma verdureira, vereador bem avaliado, com eloquência de locutor de comício, sabido, mas não preparado (isso pouco importava). Caiu em seu colo uma candidatura viável, sem concorrentes de peso e com apoio das principais forças politicas locais. O povo queria mudança, acreditava no novo e o candidato tinha uma boa e estudada lábia para prometer e fazer-se acreditar que mudaria os destinos do município.

Ao ser eleito o “tabaqueiro” de Palmeira de Fora de pronto montou um governo negociado com os vereadores e setores políticos, muita gente sem expressão ou capacidade para o exercício de cargos importantes na administração. Como um dos primeiros atos mandou colocar a sua imagem na parede de todos os órgãos públicos a começar pelo seu gabinete, num evidente culto à vaidade pessoal e agredindo o principio constitucional da impessoalidade. Como se estivesse num programa de rádio começou a divulgar políticas de austeridade e transparência que chegaram a impressionar até órgãos de Controle Externo que o convidaram para mostrar seu exemplo a outros prefeitos, até que descobriram que o modelo não era o que se mostrava, chegando a ser advertido e multado pelo Tribunal de Contas, por descumprir o seu dever de gestor responsável. Criou um entorno de assessoria  composto por amigos ou indicados por políticos sem a menor competência. Está aí a administração alvo de várias suspeitas de desvios e fraudes, exposta às críticas de todos os tipos e ameaçada de ruir. Caiu a máscara de sua “transparência”, tem um controlador que não controla nada, um procurador que nada acha e um auditor que não audita, este porque foi impedido.

Confesso que também fui enganado e acreditei no prefeito Júlio Cezar no inicio de sua administração. Convidado por várias vezes, me cobrando a condição de filho de Palmeira, mantive um encontro com ele e seu secretariado e até traçamos um plano de trabalho visando na capacitação de servidores da administração. Após algumas tentativas de reuniões com sua equipe percebi duas coisas: os secretários (com raras exceções) e assessoria, por ser indicação politica, são preguiçosos e não têm competência funcional e outro detalhe que me surpreendeu todos falam mal do prefeito e o apontam como um “ditadorzinho, vaidoso e prepotente”. Não podia da certo essa relação ai optei por desistir.

Não queria que fosse assim, pois nós palmeirenses somos apaixonados pela terra mãe. Magoa-nos profundamente assistir a cada administração os desencantos da enganação, das promessas não cumpridas, da repetição dos erros e desvios sucessivamente cometidos, Nos maltrata a degradação cultural, histórica e moral que se abate depois de cada eleição. A administração está na UTI e ao que parece em um estado irreversível. As instituições se decompõem no campo administrativo, financeiro e moral. Lamentável.

Até quando pagaremos pelo equívoco do voto?

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