segunda-feira, 20 de agosto de 2018

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Fadiga

As eleições italianas mostram, de novo, a insubordinação das sociedades com as consequências das políticas da globalização financeira imposta às nações a partir da virada do segundo milênio.

Durante a maior parte do século XX o processo de internacionalização do capitalismo efetuava-se principalmente na disputa do capital desde os Estados Nações em ferrenha competição pela hegemonia seja das empresas ou mesmo entre os sistemas financeiros, na busca dos espaços internacionais.

No século XXI deu-se um salto no processo de acumulação do sistema financeiro que aumentou o poder global e expandiu-se de forma espetacular o rentismo predador, impulsionado pela revolução tecnológica, a cibernética etc.

Esse fenômeno atingiu tal dimensão que a globalização financeira passou a negar os Estados Nacionais como entraves ao novo modo acumulativo. Tornou-se, para o capital especulativo, vital combater o próprio Estado de todas as formas: financeira, econômica, política e ideológica.

Vendeu-se através da grande mídia global a ideia de formas “elevadas” da sociedade fundadas em uma Nova Ordem mundial.

Foi aí que surgiu o nipo-americano Francis Fukuyama com a sua tese do Fim da História e uma pretensa nova etapa de crescimento econômico contínuo, a ausência de conflitos bélicos, pleno emprego, o fim das fronteiras nacionais e o “cidadão global”. Tudo acompanhado de um formidável bombardeio ideológico e cultural.

Esse mito de laboratório ruiu tanto pela incrível quantidade de guerras regionais pelos continentes como pela ascensão de algumas nações como a China, Rússia etc. e a debacle da “nova economia” deflagrada em 2008, abatendo centenas de milhões de empregos no planeta.

Nasce então uma outra ordem multipolar que confronta a velha “Nova Ordem mundial”. Além disso a globalização financeira e sua governança mundial, constituída com uma falsa cultura e agendas sociais, passa a ser rejeitada dentro das nações, independente de quem sejam os eleitos.

A globalização do rentismo predador mostra grave fadiga de material e vai arrastando consigo forças políticas que a propugnaram ou foram cooptadas. Ressurge a questão nacional, a soberania dos povos, a luta por suas riquezas naturais, os direitos sociais, o patrimônio cultural, os elevados valores universais da humanidade que alardeavam superados.

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