quinta-feira, 17 de outubro de 2019

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Sabesp classifica como ‘flutuações momentâneas’ mancha de poluição no Rio Tietê

O presidente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Benedito Braga, atribui o aumento de 33,6% no último ano no trecho considerado “morto” do Rio Tietê ao baixo índice de coleta de esgoto em municípios como Guarulhos e Mogi das Cruzes, na Região Metropolitana de São Paulo, que não são atendidos pela companhia.

“A mancha de poluição se concentra mais na região de Guarulhos e Mogi das Cruzes. Do ano passado para esse, tivemos aumento na produção de água na casa de 1,5 mil litros por segundo (em Guarulhos). Isso implica num maior volume de esgoto que é lançado no rio porque nesses municípios a Sabesp não tem estações de tratamento de esgoto”, disse ele.

Braga afirma que não há prazo, mas a Sabesp mantém tratativas para assumir definitivamente o sistema de saneamento de Guarulhos, onde somente 12% da população tem esgoto tratado.

Em um ano, o trecho considerado “morto” do Rio Tietê cresceu 33,6%, alcançando a marca de 163 km de poluição, a maior dos últimos seis anos. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira, 18, pela Fundação SOS Mata Atlântica.

“A trajetória da mancha de poluição no Tietê mostra algo mais consistente. Uma coisa é a flutuação, outra coisa é a trajetória. Nossa expectativa positiva é que passaremos a ter parceira com Guarulhos”, completou Edison Airoldi, diretor de Tecnologia, Empreendimentos e Meio Ambiente da Sabesp.

Segundo a companhia, a diminuição da mancha de poluição é de 75% no período total, já que em 1992 se estendia por 530 km. Hoje, está em 163 km.

Nesta quinta-feira, a Sabesp apresentou as projeções do Projeto Tietê até 2025.

Obras

A 4º etapa do Projeto Tietê envolve 540 km de interceptores, coletores e redes e acréscimo de mais 16% na capacidade de tratamento.

Os investimentos estão estimados em US$ 2 bilhões (R$ 8,32 bilhões), com previsão para tratamento de 9 mil litros por segundo de esgoto neste período.

Desde o início do Projeto Tietê – criado em 1992 – foram construídos mais de 4,5 mil km de interceptores, coletores-tronco e redes para coletar e transportar o esgoto até as estações de tratamento.

Elevando a coleta de esgoto de 70% para 87% de 1992 até 2018 na Região Metropolitana de São Paulo. O tratamento de esgoto na região passou de 24% para 78%.

Rio Pinheiros

O desafio de despoluição se deve ao grande número de comunidades informais. Além disso, a Sabesp espera retirar 2,8 mil litros por segundo de águas poluídas da Bacia do Pinheiros.

“Temos na Região Metropolitana de São Paulo 540 comunidades que tem grande dificuldade para que o sistema de coleta de esgoto possa chegar até elas. Temos 3 milhões de pessoas vivendo nessas condições. É um problema de questão social”, afirmou o presidente da Sabesp.

Braga espera ainda ter os Rios Tietê e Pinheiros sem produção de cheiro e com aspecto razoável, funcionando também para navegação fluvial.

O governador João Doria (PSDB) prometeu despoluir o Rio Tietê até 2027 e o Rio Pinheiros, até 2021.

No próximo domingo, 22, é lembrado o Dia do Tietê.

Coletor-tronco Pirajuçara

A reportagem do jornal O Estado de S. Paulo acompanhou nesta quinta-feira a obra da Sabesp que está sendo realizada no córrego em Taboa da Serra, na Grande São Paulo, por onde passará o coletor-tronco Pirajuçara, que está previsto para ser entregue em 2022. A obra irá contribuir para a despoluição do Rio Pinheiros.

“Esse córrego chega no Rio Pinheiros. O objetivo do coletor é impedir que o esgoto gerando na região chegue ao córrego. Pelo coletor, o esgoto será transportado até a estação de tratamento de Barueri”, explicou Carlos Eduardo Carrela, superintendente de Gestão de Projetos Especiais da Sabesp.

Nos arredores do córrego, há muitas casas construídas irregularmente. Em algumas, é possível observar o cano da residência despejando o esgoto direto no córrego. No local, também há muito entulho e lixo.

O cheiro forte também incomoda quem mora na região. A dona de casa Luciana Mendes, de 44 anos, cobra melhorias.

“Precisam fazer obras que ajudem no tratamento de esgoto. Em dias quentes, esse cheiro é ainda mais insuportável. É impossível respirar e minhas crianças também sofrem muito. Mas entendo que a população também deve fazer sua parte e não jogar lixo no córrego”, disse ela.

Os coletores que estão sendo construídos possuem dimensões de 1,5 metros até 400 milímetros, sendo instalados em um poço que pode variar de 6 metros e meio até 20 metros de profundidade.

Autor: Renata Okumura
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