quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

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Fundo credor Castlelake quer ficar com Atvos

Um dos fundos credores da Atvos, o americano Castlelake, estuda proposta para tentar salvar a empresa de açúcar e álcool do Grupo Odebrecht. A ideia é injetar capital e trocar a dívida por participação de cerca de 70% na companhia, em recuperação judicial. De acordo com fontes ouvidas pelo Estadão/Broadcast, as conversas são preliminares. O plano também resultaria na troca da dívida dos bancos por ações e pagamento a outros credores, em cerca de 15 anos.

A Atvos pediu recuperação judicial em 29 de maio e tem 60 dias, contados a partir desta data, para apresentar um plano de reorganização financeira. A Atvos declarou dívidas de R$ 12 bilhões em juízo. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Banco do Brasil têm, juntos, 66%, ou R$ 7,95 bilhões, do total. Na lista de credores estão também o Banco Bradesco, com cerca de R$ 250 milhões, Votorantim (R$ 80 milhões) e Itaú Unibanco (R$ 106 milhões).

A Castlelake também é credora da Atvos, com cerca de US$ 221 milhões a receber, por meio do fundo Terra Nova Bioenergia, administrado pela Planner Corretora. Além do Castlelake, o Terra Nova tem também como investidor a gestora americana Lonestar. Segundo informações do mercado, o fundo é composto por papéis de dívida emitidas pela Atvos, com garantia de 20% de participação acionária na companhia.

O Santander, que já esteve à frente de uma tentativa de venda da Atvos em 2016, pode retomar o mandato, depois que o plano de recuperação estiver homologado pelo juiz.

Muitos profissionais do mercado consideram boas as nove usinas da Atvos, embora apontem problemas na localização de seus canaviais. O fato é que, diz um interlocutor, a empresa precisa urgentemente de recursos para renovar seu canavial.

Paralelamente, a Planner apelou contra a decisão de blindar as ações da Atvos contra execução de credores. A Justiça havia aceitado o argumento de que ela é essencial à recuperação do grupo. As ações da Ocyan e da Braskem também ficaram protegidas. No entanto, a Justiça liberou credores com ações da Braskem para executar a garantia. Procurados, Atvos, Santander e Planner não comentaram.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Autor: Cynthia Decloedt
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