quarta-feira, 16 de outubro de 2019

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Segundo dia de greve mantém adesão de 90% dos jornalistas alagoanos

Por Redação com Tribunahoje

Jornalistas continuam mobilizados em frete às emissoras de TV contra a proposta de redução salarial (Foto: Edilson Omena)

Os jornalistas alagoanos entraram no segundo dia de greve contra proposta de redução salarial das maiores empresas de telecomunicação do estado. Na porta da TV Gazeta (afiliada da Rede Globo), TV Pajuçara (afilada da Record) e TV Ponta Verde (afiliada do SBT), os profissionais da comunicação continuam mobilizados aguardando um acordo que não sinalize a diminuição do piso salarial da categoria e nem a perda de qualquer direito trabalhista.

“Até agora nenhuma empresa sinalizou que quer negociar. A proposta continua a última que foi apresentada na segunda [24] de manter o piso salarial congelado para quem já está contratado e criar pisos menores para quem vai entrar no mercado. A categoria continua firme na decisão de não aceitar nenhuma redução de salário. Nem para quem está no mercado e nem para novos contratados”, afirmou a segunda vice-presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Valdice Gomes.

ornalista da TV Pajuçara continuam mobilizados contra a proposta de redução salarial (Foto: Edilson Omena)

“Esperamos que as empresas reconheçam o valor desses profissionais e procurem o sindicato com uma proposta possível de se negociar”, continuou.

Valdice Gomes destacou ainda que a greve está sendo cada vez mais fortalecida, com 90% de adesão da categoria e ganhando o apoio da sociedade alagoana. “Estamos atentos para as ilegalidades e vamos acionar judicialmente as empresas que estão contratando outros profissionais para substituir os grevistas”, afirmou.

Antes da greve ser iniciada, o sindicato e as empresas tentaram uma negociação onde os trabalhadores reivindicaram reposição inflacionária e as empresas responderam com redução do piso em 40%. Foram seis reuniões e as emissoras não cederam ao pedido dos trabalhadores.

Além das TVs, os portais TNH1, OP9, G1 Alagoas e Gazetaweb e o jornal impresso Gazeta de Alagoas também fazem parte dos grupos. A TV Gazeta, afiliada da Rede Globo, pertence ao senador Fernando Collor de Mello e a Pajuçara, afiliada a Record, pertence aos usineiros Emerson Tenório, Guilherme Palmeira e José Thomaz Nonô. Já a TV Ponta Verde pertence ao grupo HapVida que há pouco tempo comprou um hospital avaliado em cerca de R$ 5 bilhões.

“As empresas fizeram a proposta de reduzir o piso salarial de R$ 3.565,27 para R$ 2.150,00; implantação do banco de horas, teletrabalho e compensação de jornada. Não vamos aceitar”, afirma o presidente do Sindicato dos Jornalistas Alagoanos (Sindjornal), Izaias Barbosa.

O jornalista Wadson Correia reclama de trabalhar em uma emissora que é propriedade do grupo HapVida e não oferece plano de saúde aos jornalistas (Foto: Edilson Omena)

Wadson Correia é repórter da TV Ponta Verde há oito anos e reclama por trabalhar em uma emissora que não oferece sequer plano de saúde aos trabalhadores. “Não temos nenhuma previsão para o fim da greve. Não houve nenhum diálogo, principalmente por parte do grupo HapVida, um grupo bilionário, que sequer oferece plano de saúde para os seus funcionários”, declarou o jornalista.

Para Oscar de Melo, apresentador de um dos telejornais de maior audiência da TV Pajuçara, a greve mostra a capacidade de mobilização a categoria. “Vamos continuar lutando pelos nossos direitos”, garantiu.

Nas TVs os telejornais estão sendo transmitidos sem chamadas ao vivo e com reportagens antigas. A Gazeta tem acionado as emissoras de outros estados para enviar reportagens de fora que estão sendo transmitidas em Alagoas. Jornalistas de fora do quadro de contratados têm apresentado telejornais e atuado na rua, além de estagiários. O Sindjornal está acionando o jurídico da entidade para analisar quais ações podem ser tomadas judicialmente contra essas possíveis contratações durante a greve.

É preciso resistir

Para a presidente da Fenaj, Maria José Braga, o que acontece em Alagoas pode se repetir em outros estados e a categoria deve resistir contra a proposta de redução salarial. “Não podemos aceitar a redução de psio salarial em lugar nenhum. A luta dos alagoanos é uma luta emblemática, uma luta nacional”, opinou.

Mais de 50 sindicatos, associações, partidos, coletivos, políticos, movimentos e estudantes da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) declararam apoio à greve. O apoio social fez a hashtag #QuemPagaFazAoVivo entrar nos Trending Topics no Twitter do Brasil na terça-feira (25).

Estagiários recebem R$ 100

Em meio à greve, os estudantes estagiários da Organização Arno de Melo denunciaram que recebem R$ 100 por mês e mais R$ 80 para transporte. Além disso, a empresa demitiu 30 dos 45 jornalistas do jornal impresso Gazeta de Alagoas e ainda não indenizou os demitidos e deixou de depositar o FGTS dos trabalhadores desde o ano de 2006.

Funcionários da TV Gazeta continuam em frente à empresa mobilizados contra a proposta de redução salarial (Foto: Edilson Omena)

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