sexta-feira, 19 de julho de 2019

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Réstias de Lembranças

Por Laurentino Veiga

Parafraseando meu mestre de Antropologia da UFAL, médico-escritor  e folclorista renomado Théo Brandão: “ Viçosa, Cidadezinha do país das Alagoas,/ Terra de tanta coisa ruim,/ Terra de tanta coisa boa”.

Versos que embelezam a contracapa do sétimo livro do engenheiro agrônomo-escritor Denis Portela de Melo intitulado Réstias de Lembranças. Filho do inolvidável médico-escritor Dr. José Maria de Melo, ex-presidente da Academia Alagoana de Letras (AAL), alcaide da Terra do Menestrel das  Alagoas, deputado federal constituinte, e, principalmente, homem de referências quer na política partidária, quer na seara literária que se destacou como exímio mestre do romance contemporâneo.

A obra, por sua vez, prefaciada pela escritora Solange Berard Lages Chalita, sócia da Associação Alagoana de Imprensa (AAI), que, por sinal,  dissecou com propriedade a figura do autor, bem com o talento herdado de seu inolvidável genitor.

“ Na qualidade de observador dotado da capacidade de captar o cenário com suas minúcias e com o seu  olhar de radar, o escritor fez com a caneta hábil o que uma filmadora faz registrando a história detalhadamente, envolvendo pessoas numa atmosfera real e ao mesmo tempo surreal. É deliciosa a descrição pormenorizada de todas as providências tomadas para registrar  com fidelidade o contexto dessa ilustre visita que o narrador enfatizou com a frase enfim um reboliço”.

Dedicou-a, pontualmente,  à sua inesquecível esposa Mila, que, em vida, deixou marcas de seu amor nos filhos, bem como no coração desse destacado viçosense de sete costados. Dir-ser-ia que foi seu verdadeiro e único amor. Apaixonados pela vida fizeram de tudo a fim de perenizar uma união perfeita e duradoura.

Conheço-o  há décadas. Homem culto e modesto. Gentil e companheiro. Pouco falante, mas de grande capacidade para  discutir assuntos variados.Inclusive, de fala mansa para deixar Réstia de Lembranças agradabilíssimas na forma literária que escolheu. Estilo próprio sem tergiversar o idioma herdado de Camões /Bilac.

Na capa do livro, vê-se o retrato de seu pai, avós maternos/paternos.Sua dedicada matriarca e a famosa Praça Apolinário onde viveu seus tempos de adolescente.À época que seu saudoso pai fora exercer o cargo de deputado federal, aproveitou sua estada para se formar em  engenharia agronômica. Fez-se letrado retornando à terrinha a fim de cuidar da propriedade herdada com tanto estima. Na Cidade Maravilhosa, picado pela flecha do cupido, conheceu sua amada. Casou-se construiu linda família. Hoje, aos setenta e sete anos prosa com seus amigos no sodalício da saudade jurando que não fará outro livro.

Na sua narrativa, por certo,  descreveu sua boemia, seus estudos primários, e, 0principalmente, suas andanças de menino-adolescente.Focado nos estudos aprendeu para vida com as sábias loções de sua querida mãe. “ Guardo saudosas lembranças dos meus queridos padrinhos João Pedro Jatobá e Cotinha ( Maria Loureiro Jatobá. Na minha infância , a casa deles era também a minha casa. Lá passava dias, mesmo morando do outro lado da rua.E, nas férias, costumava acompanhá-los nas temporadas que faziam no Bom Sossego, o engenho de propriedade do meu padrinho”.Reminiscências pinçadas no baú de sua privilegiada memória. Sem deixar de registrar com fidelidade, com amor d’alma suas lembranças de um tempo não muito remoto.Felicito-o por mais esse livro que retrata a velha Viçosa, torrão que nasceu meu querido primo-irmão Dr. Judá Fernandes de Lima, radicado na próspera Arapiraca.

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