domingo, 22 de setembro de 2019

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Na semana dedicada aos Museus, o Xucurús vive dias de indefinição

Por Redação

Museu Xucurús, sediado na Igreja do Rosário, no Centro da cidade de Palmeira dos Índios.

Além de atrativos turísticos, os museus são importantes centros produtores e receptores de práticas, costumes e pensamentos da cultura brasileira. Na semana marcada pelo Dia do Museu que foi celebrado no sábado (18), 1.114 espaços de todo o Brasil funcionaram com uma programação especial que reúne opções de lazer e conhecimento voltadas para todos os públicos.

“O Brasil é um celeiro de atrativos culturais – tanto que somos considerados o 8º país em atrativos culturais – e os museus se inserem nesse contexto do turismo. A Política Nacional de Gestão Turística dos Patrimônios Mundiais históricos e naturais é uma tentativa de incrementar a visitação nos destinos, a preservação e valorização da cultura”, comentou Bob Santos, o secretário nacional de Integração Interinstitucional do Ministério do Turismo.

Em Palmeira dos Índios, o Museu Xucurús fez parte da programação com palestras, vídeos e exposição.

Mas o Museu Xucurús, inaugurado em 1972, vive dias de indefinição. Há dois meses o prefeito de Palmeira dos Índios Júlio Cezar anunciou a mudança da sede do museu palmeirense, que está sediado na Igreja do Rosário, no Centro da cidade e que fica na Praça do mesmo nome. No local (praça) existe uma locomotiva Maria Fumaça, da antiga Usina Utinga Leão, que virou – no passado – atração turística e um dos cartões postais da cidade.

A intenção é levar o acervo do Museu para um sobrado, velho – e que já foi alugado pela prefeitura, na Rua José Pinto de Barros, pertencente à família Leite.

Ocorre que o Município não é dono do acervo, que pertence a uma instituição privada, relata uma fonte do Conselho de Cultura do Município.  O Município apenas cede servidores da prefeitura para colaborar com o funcionamento do museu,

Além disso, existe no estatuto, uma diretoria presidida pelo Bispo Diocesano que é responsável pelas decisões sobre a manutenção do Museu.

Segundo informações chegadas à redação, alguns membros do conselho se reuniram com o Bispo, no mês passado para obter algum posicionamento dele. E Dom Manoel Filho, novato na cidade, teria dito que antes de qualquer decisão, ele levaria a situação para o Conselho Diocesano.

Apesar dessa decisão, a informação chegada à redação é de que o Bispo teria se mostrado interessado em manter o acervo do museu na Igreja Nossa Senhora do Rosário, inclusive teria se comprometido em realizar a manutenção necessária no teto da Igreja.

Porém, é bom frisar que não há pronunciamento oficial ainda.

Mesmo sem autorização do Bispo, Município quer avançar em obras

A secretária de Cultura Isvânia Marques, respondendo uma cobrança veemente feita pela desembargadora Elisabeth Carvalho, entusiasta da mudança de local, disse que o acervo do Museu ainda não foi transferido porque a casa alugada carece de reformas.

“Não foi feita ainda a reforma à Mansão dos Leite (pintura, limpeza e reparo ao teto). Enquanto não houver tal providência, o Museu continua Museu, mesmo temporariamente.Não podemos “mascarar” tal realidade, pois as visitas continuam sendo feitas e nós não podemos fechar as portas dele. Para fazer diferente, vamos receber os alunos e visitantes e a professora e historiadora ANA Cristina que falará sobre a história do Museu Xucurus. A parte da exposição corresponde ao próprio acervo”, disse.

A Secretária afirmou que após as (re)inaugurações de equipamentos públicos que estão sendo realizadas pela prefeitura“uma equipe está sendo preparada para o serviço à Casa dos Leite”. “Vi a escala de trabalhos e nela  constava tais reparos”, finalizou.

Indagada sobre a possibilidade de não transferência do acervo do Museu instalado na Igreja do Rosário para outro local, a secretária disse que o Conselho de Cultura tem torcido por isso, mas a Diocese não se pronunciou oficialmente.

Um membro do Conselho disse à redação da TRIBUNA DO SERTÃO que “a forma com que o município quer realizar essa mudança é ilegal e coloca em risco a preservação do acervo”.

Não existe um museólogo para tratar da remoção do acervo, caso ele ocorra e o prédio para onde desejam transferir é locado por dois anos. E após expirar o contrato. O acervo continua lá ou vai para outro lugar? Por acaso vai virar Museu itinerante?”, indaga o conselheiro.

Ele ainda reforça que a prefeitura não tem nenhuma ingerência sobre o Museu (a não ser o fato de ceder servidores), pois se trata de uma fundação privada.

A reportagem apurou que já existiria negociações paraa aquisição da “Casa dos Leite” pela bagatela de R$1,2 milhão através do IPHAN, valor totalmente fora de mercado, o que corresponderia a quatro vezes o valor de mercado do imóvel que é antigo e que precisa de muitos reparos.

A secretária de cultura disse desconhecer tal trâmite.

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