quinta-feira, 22 de agosto de 2019

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Maceió de outrora

Por Laurentino Veiga

Na aurora da década de sessenta , deixei minha querida Paulo Jacinto a convite do mano economista Cícero Veiga da Rocha a fim de morar na antiga Uesa. À época, exercia o cargo de então Tesoureiro da Sorbonne alagoana. Troquei o bucolismo da terra-mãe pela bela Maceió que, por sua vez, me acolheu de braços abertos feito o Cristo Redentor da Cidade Maravilhosa. Segui seus passos, isto é, me graduei em Ciências Econômicas e, paralelamente, enveredei pelo caminho do jornalismo tornando-me presidente da Associação Alagoana de Imprensa (AAI).

Agora, amadurecido na peleja da vida faço comentários de livros nos Semanários A Notícia e Tribuna do Sertão e no diário Tribuna Independente que integra a Cooperativa de jornalistas capitaneada pelo dinâmico presidente-economista Gabriel. E, sendo assim, trato as minhas reminiscências com carinho como agradecimento do que conquistei nesses anos de luta e de trabalho pautado na ética e na honestidade.

Desta feita, trago à tona o livro memorialista “Maceió de outrora” do inolvidável historiador-escritor Félix Lima Júnior, genitor do meu professor de Economia Internacional na Ufal Fernando Oiticica Lima de saudosa memória. Conheci o autor na sua casa encravada no bairro do Farol. Hoje, cedeu lugar a um empreendimento imobiliário por força da ganância do capital selvagem.

Apresentado, por sua vez, pelo inesquecível médico-folclorista Théo Brandão, meu mestre de Antropologia na Universidade Federal de Alagoas.Filho ilustre da velha Viçosa, terra do Menestrel das Alagoas, médico José Maria, ex-presidente da Academia Alagoana de Letras que, em novembro próximo, celebrará seu Centenário em grande estilo.

Segundo ele, “ Esta foi a tarefa a que se dedicou Félix Lima Júnior e de que nos dá conta em Maceió de outrora. Embora alcance os dois setores extremos da História, a História propriamente dita, isto é, a dos fatos inéditos e ostensivamente dramáticos, como conceituou Gilberto Freyre, e a História Normal do Povo, como a concebe Câmara Cascudo, isto é, o Folclore dedica-se, sobretudo Maceió de outrora, àqueles fatos, figuras, instituições, aspectos físicos não muito relevantes, por isso que comuns e cotidianos, que poderíamos talvez denominar de História Nacional da Cidade”.

Livro eminentemente memorialista. Escrito por um homem dedicado à pesquisa-historiográfica acurada sobre a bela e querida Maceió. Produto de sua abnegação às coisas do pretérito que não volta mais. Contudo, deixou marcas indeléveis que a poeira do tempo não conseguirá acabar.

No Sumário, vê-se a MACEIÓ DE FÉLIX POR Rachel Rocha; OS COSTUMES, a etiqueta e a moda: Melindrosas e almofadinhas; Comes e bebes; A pesca do sururu; Como se vestiam e se enfeitavam moças e senhoras; Século e meio de vida em Maceió; PAISAGENS E ASPECTOS DA CIDADE: As gameleiras do Aterro de Jaraguá; O Mercado de flores; O Relógio Oficial, O velho Farol; Rua do Comércio, A Lagoa Mundaú ; Maceió de 1901; Feiras livres; O Gogó da Ema; Trapiches; pontes e O Salgadinho.

Tudo isso, faz parte das cento e oitenta e duas páginas reeditadas pela Imprensa Oficial Graciliano Ramos, cujo diretor-presidente fora o economista Moisés Aguiar. Que, por sinal, integra a Coleção” Pensar Alagoas”. Diga-se, de passagem, teve a sensibilidade de prestar justiça à memória de Feliz Lima Júnior. Outros livros poderiam surgir através de iniciativa do atual governador economista José Renan Vasconcelos Filho.

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