segunda-feira, 18 de Março de 2019

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Os Tribalistas lançam disco ao vivo

Se fosse para definir em uma palavra o show que os Tribalistas realizaram no Allianz Parque, em São Paulo, em agosto, bem que ela poderia ser ‘afetividade’. Diante de 45 mil pessoas – casa cheia -, Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Carlinhos Brown entregaram ao público uma apresentação irretocável e receberam de volta olhares (e ouvidos) atentos, aplausos calorosos e vozes em coro acompanhando grande parte das músicas. Reunindo o maior público da turnê dos Tribalistas, o show no Allianz ganhou registro ao vivo, que será lançado em disco nesta sexta, 15, nas plataformas digitais. A apresentação também poderá ser vista na TV: neste sábado, 16, às 20h, e no dia 8 de abril, às 21h, no canal Bis. No YouTube, estará disponível no sábado, 16, às 21h.

Aliás, a gravação é digna de nota: o clima harmônico que dominou o estádio paulistano foi captado de forma fiel em imagem e som. “Minha lembrança desse show é de muita emoção. Já fiz shows para muita gente, lembro de fazer show na Virada (Cultural), com a rua lotada, um mar de gente, mesmo com a carreira solo, com os Titãs, mas esse show foi muito emocionante”, contou Arnaldo Antunes, ao jornal O Estado de S. Paulo, por telefone, de São Paulo. Quem não assistiu ao show naquele dia poderá sentir esse clima no álbum e no vídeo Tribalistas ao Vivo.

Em tempos de notícias trágicas, ver e ouvir esse projeto pode ser reconfortante. “Para a gente, foi importante ser um ano de afirmação em vez de negação, um ano positivo em vez de um ano negativo dentro desse contexto que a gente passou”, descreveu Marisa, sobre a turnê, por telefone, direto do Rio – enquanto Carlinhos Brown, de Salvador, na outra ponta da ligação telefônica, corroborava com a fala da amiga, e parceria de composição e de Tribalistas. “Para a gente, foi muito importante passar esse semestre afirmando em vez de dizer não: dizendo sim para o amor, sim para a amizade, sim para a arte, sim para a música, sim para a cultura, sim para a poesia, sim para o encontro pacífico. A gente não teve nenhum problema na turnê inteira. Só tivemos amor, alegria, lágrimas e emoção por onde passamos, não foi, Carlinhos?”, continuou ela. “O afeto é gerador de afetos, o público com o artista se espelha”, emendou Brown.

Essa onda amorosa que marcou não só o show em São Paulo, mas a turnê como um todo não chega a causar espanto. Afinal, os fãs dos Tribalistas tiveram de esperar 16 anos desde o lançamento do primeiro disco, Tribalistas, em 2002. Assim, o trio só encontrou plateias afetuosas por onde passou, inclusive em shows na Europa e nos Estados Unidos.

A vontade de cair na estrada já existia desde aquele primeiro álbum, mas só se tornou possível após o lançamento do segundo disco, também chamado Tribalistas, que eles anunciaram de surpresa em 2017. Com mais canções tribalísticas na bagagem, os três estavam prontos para o desejado tour – com visual de encher os olhos e repertório repleto de sucessos.

No set list, equilibraram canções dos dois discos, como as já clássicas Passe em Casa, Já Sei Namorar e Velha Infância, e as mais recentes Diáspora e Fora da Memória, além de incluir também composições que fizeram para outros trabalhos, como Não é Fácil. “Mesmo depois que o show já tinha estreado, fizemos algumas coisas de roteiro que a gente foi mexendo na estrada. É um show que, para a gente, foi ficando cada vez mais redondo, mais gostoso de fazer. Então, dá uma certa tristeza de a turnê estar no final”, lamenta Arnaldo – ele, Marisa e Brown voltam a se dedicar a seus próprios projetos, mas não descartam se reunir novamente como Tribalistas a qualquer momento.

O tour, que estreou em Salvador em julho do ano passado, seguirá ainda para Montevidéu, no próximo dia 22; para Buenos Aires, no dia seguinte, 23; e vai se encerrar no festival Lollapalooza, no dia 5 de abril, em São Paulo. Quando o nome dos Tribalistas foi anunciado como uma das atrações principais do Lolla, houve quem reclamasse nas redes sociais. Eles chegaram a ver essa reação? “Acho que isso é normal em festival, porque é um público mais difuso. Mas, para a música brasileira, é muito importante. Fico feliz que a música brasileira tenha esse espaço dentro de um festival no Brasil”, comenta Marisa. “Acho que essa insegurança nós não temos, mas também respeitamos aqueles que têm suas opiniões voltadas a isso. Para quem não gosta, o festival tem várias opções”, completa Carlinhos Brown.

Mas os haters não abalam o clima festivo dos Tribalistas. E Marisa Monte afirma, feliz: “Estamos esperando (no festival) o pessoal do coral com os braços e o coração abertos”.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Autor: Adriana Del Ré
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