segunda-feira, 22 de Abril de 2019

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Há 100 anos nascia Tatiana Belinky, menina que queria ser bruxa e virou escritora

Uma das mais importantes e respeitadas escritoras da literatura infantojuvenil brasileira, Tatiana Belinky nasceu há exatos 100 anos, no dia 18 de março de 1919, em São Petersburgo (que, à época, se chamava Petrogrado), na Rússia.

“Quando eu era menina, na Rússia, eu sempre dizia que queria ser uma bruxa. Uma bruxa?, me perguntavam os adultos, com surpresa. E eu respondia: É, uma bruxa. Bruxa é bonita e tem poderes… Fadas são umas chatinhas, sempre muuuuito certinhas… Aí, quando eu cheguei ao Brasil e conheci a Emília do Monteiro Lobato, eu pensei assim: Não, não quero mais ser bruxa, eu quero ser a Emília.”

Tatiana Belinky, que desembarcou no Brasil aos 10 anos com a família para fugir das guerras civis que assolavam seu país, costumava contar essa história.

A autora, celebrada agora em seu centenário, começou a trabalhar com adaptações, traduções e peças infantis para a Prefeitura de São Paulo em 1948 – e fazia isso com o marido. Quatro anos depois, eles criaram o programa Os Três Ursos a pedido da TV Tupi, que conquistou tanto sucesso a ponto de definir a carreira de escritora de Tatiana. Logo, o casal foi convidado a ter um programa fixo na emissora. Foi lá que ela e Júlio fizeram a primeira adaptação da obra de Monteiro Lobato em Sítio do Picapau Amarelo.

O casal ficou na emissora até 1966 e, seis anos depois, Tatiana iniciou uma série de colaborações na imprensa, escrevendo sobre crianças especialmente para o jornal O Estado de S. Paulo e o agora extinto Jornal da Tarde. Em 1984, ela lança Teatro da Juventude, que reúne suas adaptações, e no ano seguinte publica suas primeiras obras autorais: A Operação Tio Onofre, nas livrarias até hoje, mas com uma capa mais politicamente correta, e Medroso! Medroso!, também disponível.

Tatiana escreveu mais de 270 livros, entre eles Coral dos Bichos, O Grande Rabanete, O Livro das Tatianices e Transplante de Menina. No campo da tradução, destaque para O Cão Fantasma, de Ivan Turguêniev, e Histórias de Bulka, de Lev Tolstoi. Entre as adaptações, Simbad e Os Marujos e Aladim e a Lâmpada Maravilhosa.

Para Tatiana Belinky, nunca se deve subestimar a inteligência de uma criança “Criança é um público maravilhoso, interessado. Nunca se deve subestimar a inteligência de uma criança. Fazem perguntas que precisamos estar prontos para responder ou ser honestos o suficiente para dizer ‘não sei'”, dizia.

Tatiana Belinky teve sua história contada por Sérgio Roveri em Tatiana Belinky… E Quem Quiser Que Conte Outra, livro publicado na Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, e disponível para download gratuito.

Autor: Há 100 anos nascia Tatiana Belinky, menina que queria ser bruxa e virou escritora
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