terça-feira, 16 de julho de 2019

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Decano da Lava Jato se aposenta e dará consultoria anticorrupção para empresas

A partir desta segunda-feira, 18 de março de 2019, Carlos Fernando dos Santos Lima não é mais procurador da República. Aos 55 anos de idade, o mais antigo membro da força-tarefa da Operação Lava Jato se aposentou. Da cadeira de acusador, vai passar agora para a cadeira de consultor e defensor: deve abrir um escritório de advocacia para atuar para o setor privado dando cursos e consultorias na área de compliance, que é a prática de medidas que tentam evitar desvios dentro de empresas.

Santos Lima garante que atuará fora área criminal: “não vou advogar contra o Ministério Público” nem mesmo em casos relacionados à Lava Jato.

Na última semana, ele desocupou o gabinete no oitavo andar da Procuradoria Regional da República da 3ª Região (PPR-3), em São Paulo. Santos Lima faz parte mais do quadro de membros do Ministério Público Federal, posto que ocupava desde 1995. Membro da equipe do Caso Banestado, de lavagem de dinheiro por contas CC5 no final da década de 1990 e uma das origens da Lava Jato, e um dos principais articuladores dos acordos de delação premiada da força-tarefa, Santos Lima falou ao jornal O Estado de S. Paulo em sua última entrevista como procurador, na terça-feira passada, dia 13, véspera da decisão do STF considerada um dos maiores revés para a Lava Jato nesse cinco anos.

Comentou sobre as investigações e a prisão de Luiz Inácio Lula da Silva – que completará um ano em abril -, sobre a “judicialização excessiva” reinante no País e avaliou a ida de Sérgio Moro para o governo de Jair Bolsonaro (PSL) como um prejuízo para a imagem da Lava Jato a ser compensado, caso ele consiga aprovar o pacote de leis anticrime organizado e anticorrupção.

Desde 2017, Santos Lima poderia pedir aposentadoria, mas suspendeu a decisão em meio às incertezas geradas pelo plano de reforma da Previdência em discussão no governo do ex-presidente Michel Temer. Preferiu se aposentar por tempo de serviço: completou 40 anos de trabalho. Antes de ser procurador, trabalhou no Banco do Brasil e como promotor.

“Sou dos que tiveram a sorte de não pegar o novo regime previdenciário”, disse, Em setembro do ano passado, pediu afastamento da força-tarefa da Lava Jato, onde estava atuando desde 2014 – acumulando com o trabalho em São Paulo -, para fazer uma “quarentena por conta própria”.

Autor: Fausto Macedo e Ricardo Brandt
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