quarta-feira, 17 de julho de 2019

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Osesp apresenta versão gospel para obras de Händel

Interpretar O Messias, de Händel, em dezembro não é exatamente uma novidade – a peça completa ou seus principais trechos estão presentes em temporadas de diversas orquestras Brasil afora. O oratório, afinal, fala do nascimento e da vida de Cristo, tema sugestivo para a época de Natal. Quando a peça subir ao palco da Sala São Paulo hoje, no entanto, será de um jeito nada convencional.

O espetáculo, idealizado pela maestrina Marin Alsop, diretora musical e regente titular da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, foi batizado de Too Hot to Handel, com a partitura do compositor em diálogo com uma releitura contemporânea, em que a improvisação ganha espaço, assim como a música gospel e o jazz. E, além das apresentações na Sala São Paulo, de hoje até sábado, haverá também uma récita extra gratuita no vão livre do Masp no domingo de manhã.

A ideia tomou forma na mente de Alsop ainda nos anos 1990, quando ela se preparava para um concerto com a Concordia Orchestra, nos Estados Unidos. “Há tempos eu imaginava a possibilidade de um remake de O Messias, à luz do século XX”, ela escreve em um texto no site da Osesp. E, desde então, tem levado o espetáculo a diferentes cidades dos EUA.

O Messias foi escrito por Händel em 1741 e estreou na Irlanda, antes de seguir para Londres, onde o compositor vivia há tempos, gozando de sua fama como compositor de óperas. Não foi um sucesso estrondoso na época de sua primeira apresentação, mas com o tempo se tornaria uma das obras mais célebres do repertório, inspirando diversas releituras. Esta semana, por exemplo, na sexta e no sábado, o Teatro Municipal de São Paulo apresenta o oratório El Niño, em que o compositor John Adams dialoga com a peça de Händel, mas narrando a história de Cristo por meio de fontes alternativas e colocando ênfase nas mulheres de sua vida.

“Eu amo o jazz a música gospel e durante 20 anos eu tive uma banda de swing”, conta a maestrina ao jornal O Estado de S. Paulo. “A ideia de atualizar O Messias começou, na verdade, com a ideia de uma versão gospel do famoso coro Aleluia e foi se desenvolvendo a partir daí”.

Para tanto, ela se juntou a Bob Christianson e Gary Anderson, dois músicos com diversas passagens pela Broadway, pelo cinema e pela televisão. “Quando nos reunimos, discutimos cada pedaço da peça e tentamos determinar uma sensação que manteria a integridade das intenções de Handel. A ideia é manter o compositor como o DNA e então expandir a partir dali. Em sua época, Mozart atualizou o Messias e particularmente acho que Handel teria realmente gostado dessa versão”, ela diz. “Quando os trabalhos começaram, percebi que não poderia ter sonhado com uma equipe mais comprometida e talentosa. Nunca vou me esquecer da nossa primeira reunião, na qual, depois de confirmarem que ambos estavam de acordo sobre o fato de eu estar completamente maluca, fomos ouvir cada número para determinar essa a nova sensação que buscaríamos”, completa Alsop.

O time de solistas dá a medida da releitura proposta pela maestrina. Cynthia Renée Saffron e Vaneese Thomas são nomes importantes no universe do R&B e do jazz nos Estados Unidos. O tenor Richard Dixon, além do difícil repertório rossiniano e da premiada gravação em DVD da ópera O Anão, de Zemlinsky, apresentou-se recentemente ao lado de Barbra Streisand e Barry Manilow nas cerimônias fúnebres da cantora Aretha Franklin. Também participam o Coro e o Coro Acadêmico da Osesp.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Autor: João Luiz Sampaio, especial para o Estado
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