segunda-feira, 16 de julho de 2018

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A inveja é o pior sentimento

Dentre os 7 pecados capitais reconhecidos pela tradição da Igreja Católica, destaca-se a “Inveja”. Na ordem decrescente dos “Pecados Mortais”, a Inveja ocupa o 6ª lugar, mas a Igreja não justifica o motivo aparente desta classificação. Por outro lado, o Catecismo da Igreja que responde as dúvidas dos féis católicos, ensina que “a Inveja é um vício capital que designa a tristeza sentida diante do bem do outro e do desejo imoderado de sua apropriação mesmo indevida”. Santo Agostinho, Doutor da Igreja, via a Inveja como “o pecado diabólico por excelência”.

São Gregório Magno, afirmava que “da inveja nascem o ódio, a malediscência, a calúnia, a alegria causada pela desgraça do próximo e o desprazer causado por sua prosperidade”. São João Crisóstomo deixou a seguinte sentença: “Quereríeis ver Deus… alegrai-vos com os progressos de vosso irmão e imediatamente Deus será glorificado por vós. Deus será louvado, dirão, porque seu Servo soube vencer a Inveja, colocando sua alegria nos méritos dos outros”.

Ora, essa minha preocupação em abordar o “Sentimento da Inveja” tem uma base moral e profissional. Nestes 35 anos de profissão na Advocacia patrocinei várias Separações Judiciais e inúmeros Divórcios. E tenho constatado que, muito embora os cônjuges revelam para nós, Advogados, Juizes e Promotores de Justiça, que o motivo crucial do afastamento do lar ou o abandono da companhia do outro cônjuge tenha sido causado pelo CIÚME, eu tenho a convicção que a base de todo o infortúnio no Casamento e nos Negócios Jurídicos em geral é a INVEJA. O Ciúme Doentio, por exemplo, estraga as relações íntimas e pessoais, mas o que faz romper definitivamente a união conjugal ou societária é a Inveja.

A Inveja, diferentemente da “Cobiça”, é um pecado desgraçado porque a pessoa invejosa ignora seus méritos e seus talentos, para prioriza as qualidades e os dons da outra pessoa, querendo apropriasse indevidamente das mesmas virtudes, no lugar de desenvolver seu próprio crescimento pessoal e espiritual. E não é lá só isso, o Invejoso, como sendo uma pessoa infeliz por sua natureza e condição, sente-se alegre pela desgraça do outro e sente prazer pela falta de prosperidade do semelhante. Como que dizendo sempre para si mesmo: Se eu não tenho tais qualidades, a outra pessoa também não deverá ter. O que é um verdadeiro absurdo! A Inveja é um vício mesquinho, miserável, vergonhoso e sórdido.

Na “Cobiça”, que não é um “pecado mortal”, mas uma moral religiosa velada, existe apenas um desejo de ter ou de possuir a riqueza material pertencente ao outro. Não deixa, porém, de ser um ciúme, ou seja, um desejo ardente de cobiçar as coisas alheias (por exemplo, veja o 10º Mandamento da Lei de Deus, difundida por Moisés). Mas, a “Inveja” não só deseja à riqueza material, ela também cobiça os atributos, as habilidades e os talentos da outra pessoa, impedindo que ela cresça e se realize.

A Inveja é vista como um atraso, um retrocesso, uma indiferença, que pode se transformar em Homicídio. O Ciúme,  que mascara a Inveja, é um sentimento de zelo excessivo por alguém. O Ciúme Doentio, que chega a sufocar o ente querido, pode gerar, portanto, discussões e até agressões, mas ainda se tolera, pois a pessoa ciumenta, se não for violenta, pode sentir-se depois angustiada e arrependida pelo sentimento provocado.

Assim, dizem os provérbios: “A Inveja toma todas as formas para ferir”… “O Invejoso é mau e manhoso”… “A Calúnia é sempre a arma dos invejosos”. E, na opinião de Francis Bacon, o pai do Método Indutivo: “O homem que não tiver virtude própria sempre invejará a virtude dos outros… As pessoas que são curiosas e indiscretas são geralmente invejosas; porque conhecer muito a respeito da vida alheia não pode resultar do que concerne os próprios negócios. Isso deve provir, portanto, de tomar uma espécie de prazer teatral a admirar a fortuna dos outros. Aliás, quem se ocupa senão dos próprios negócios e aspiram seu crescimento não encontra tempo para praticar invejas. Porque a inveja é uma paixão calaceira, isto é, passeia pelas ruas e não fica só em casa…” Pensemos nisso! Por hoje é.

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