terça-feira, 18 de junho de 2019

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Exposição de Manoel da Marinheira lota Complexo Cultural em noite de festa

Por Redação com Agência Alagoas
A família orangotango, vedete da mostra, foi a preferida de todos para selfies (Fotos: Neno Canuto)

A família orangotango, vedete da mostra, foi a preferida de todos para selfies (Fotos: Neno Canuto)

A abertura da temporada da exposição ‘A Floresta Encantada de Manoel da Marinheira’, na noite de quinta-feira (27), lotou o Complexo Cultural do Teatro Deodoro. Mais de 400 pessoas puderam ver de perto esculturas gigantes de animais em madeira, criados pelo mestre Marinheira, um dos maiores artistas populares alagoanos, e pelo seus filhos e discípulos.

São mais de 60 esculturas gigantes de animais da fauna mundial expostos nos dois grandes salões do Complexo, que está aberto à visitação pública, de segunda a sábado, de 8 às 17 horas, até o final do mês de agosto.

A exposição é uma realização da Imprensa Oficial de Alagoas, por meio da revista Graciliano, que em sua atual edição traz o tema Manifesto da Arte Popular, mestres de Alagoas, entre eles Manoel da Marinheira. O evento é parte da programação oficial dos 200 anos da emancipação política de Alagoas e tem o apoio da Diretoria de Teatros do Estado de Alagoas (Diteal), Museu Manoel da Marinheira e do empresário Jorge Tenório, proprietário da coleção de esculturas exibidas no evento.

Representando o governador Renan Filho, o secretário de Estado da Comunicação, jornalista Ênio Lins, falou da importância da homenagem ao grande mestre, no contexto dos 200 anos de Alagoas, e ressaltou que a programação vai continuar durante todo o ano.

“É uma bela homenagem ao pioneiro da arte popular alagoana; uma singularidade que só acontece mesmo aqui, quando uma família inteira segue a obra do pai. Que belo exemplo para a cultura alagoana e brasileira. Tudo isso tem que ser mostrado; é o que estamos fazendo da melhor maneira possível. Parabéns à Imprensa Oficial por unir atividade editorial com realizações culturais”, disse o secretário.

Todos a bordo

O momento de maior emoção foi a chegada da família Marinheira: os quatro filhos escultores de Manuel, herdeiros e continuadores de seu legado – André, Antonio, Severino e Manoel Filho – e o discípulo Fábio, que têm suas peças exibidas junto com a do pai.

A família veio em ônibus fretado, de Boca da Mata, terra natal de Marinheira e sua família, que hoje é chamada de ‘Boca da Arte’. Os Marinheira desembarcaram com uma trupe de mais 20 pessoas, entre filhos, amigos e genros, a viúva de Manoel e netos que já formam a nova geração de escultores.

“Poderíamos realizar uma exposição com obras de todos os grandes artistas alagoanos da madeira, da cerâmica, da renda e do bordado, da pintura, da escultura. Mas decidimos lançar luz sobre Manoel da Marinheira, resgatar a verdadeira dimensão do homem e de sua arte. Um homem do povo, um autodidata, que superou dificuldades e a sua própria condição de artista, para se tornar um gênio da escultura em madeira. Considerar ele tão grande, como os grandes escultores universais”, assinalou o presidente da Imprensa Oficial Graciliano Ramos”, Marcos Kummer.

Ainda falaram a presidente do Diteal, Sheila Maluf, que destacou o novo momento das artes em Alagoas, ressaltando que nesta mesma noite três eventos ocorriam simultaneamente no Teatro Deodoro, Arena e no Complexo, e celebrou a parceria com a Imprensa Oficial.

A museóloga Carmem Lúcia Dantas, curadora e organizadora do Museu Manoel da Marinheira, falou com emoção da amizade que unia o mecenas e colecionador Jorge Tenório, dono do acervo da exposição, e Manoel da Marinheira, “que além de serem amigos de todas horas, tinha uma paixão em comum por obras de arte”. Pelo empresário Jorge Tenório falou o seu neto, Gustavo. Ele disse que seu avô era um aficionado por arte popular, principalmente a criada pela família Marinheira. “São obras que falam, desfilam e fascinam quem às vê”.

Por último, falando pela família, André da Marinheira, muito emocionando com a homenagem, apresentou os irmãos, e contou momentos decisivos da vida do pai. “Ele começou aos 12 anos, fazendo um coelhinho escondido do meu avô, mas daí em diante não parou mais, e agora estamos continuando sua obra”.

Passeio na floresta

Nos dois salões da exposição, o público e convidados circulavam à vontade entre os corredores e as peças. A vedete da abertura da temporada foi a família orangotango, a preferida de todos para selfies entre amigos. As crianças presentes brincavam na piscina cenográfica, entre as esculturas de animais marinhos como peixe, a foca, o tubarão, o cavalo marinho entre outros.

Escritores, jornalistas, galeristas de arte, artista visuais e escultores admiravam a coleção, entre os presentes estacam Celso Brandão, Tania Maya Pedrosa, Paulo Caldas, Pedro Cabral, Achiles Escobar, Bárbara Lessa, Fredy Costa, Mirna Porto e o casal de galerista e artistas Maria Amélia e Dalton Costa, da Karandash.

A exposição também foi vista pelo convidado da Imprensa Oficial, o marchand, pesquisador e dono da galeria Brasiliana – uma das mais importantes do pais – Roberto Rugiero, que ficou impressionado com a grandiosidade da exposição.

“Eu já conheço a obra dos Marinheira e todos os grandes artistas alagoanos, mas, com certeza, o grande pioneiro Manoel da Marinheira foi belissimamente homenageado. Esta exposição chega em boa hora; um bom momento para comprar, pois a arte popular está em plena ascensão no mundo inteiro”, incentivou Rugiero.

O grande final da inauguração da exposição foi a apresentação da Orquestra Filarmônica de Alagoas, que brindou o público com um concerto em cordas instrumentais. Emoldurando o palco do anfiteatro, uma grande foto clássica de Manoel da Marinheira, de autoria de Celso Brandão, se destacava na homenagem ao grande artista alagoano.

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