segunda-feira, 20 de Maio de 2019

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Defesa diz que pena de Elize foi alta; acusação queria mais

Por Redação com Terra

A condenação de Elize Matsunaga a 19 anos, 11 meses e um dia de prisão foi recebida pela sua defesa como excessiva. Já o Ministério Público estuda recorrer da decisão, por acreditar que poderia ser maior. A condenação se deu por júri popular e o juiz Adilson Paukoski proferiu a decisão às 2h08 desta segunda-feira, depois de sete sessões de julgamento, iniciado na segunda-feira passada.

No entendimento dos jurados, Elize matou e esquartejou o corpo do marido Marcos Matsunaga, 42 anos, em maio de 2012. Depois de disparar um tiro na cabeça de Marcos, no apartamento do casal, ela foi condenada pela destruição e ocultação do cadáver, que foi esquartejado em sete partes. 

O advogado de Elize, Luciano Santoro, afirmou que o resultado em si foi bom, porque duas qualificadoras, que poderiam aumentar ainda mais a pena, foram descartadas pelos jurados. 

Das três qualificadoras contidas na denúncia, apenas uma foi aceita: a de recurso que impossibilitou a defesa da vítima (tiro a curta distância, de cima para baixo). As outras duas, motivo torpe (vingança por traição e interesse financeiro) e meio cruel (degola da vítima ainda em vida) foram rechaçadas pelos jurados. 

“Infelizmente a pena aplicada pelo juiz não refletiu a decisão dos jurados. Ele subiu demasiadamente essa pena. Não haveria a menor necessidade”, disse Santoro. 

A estimativa é a de que Elize precise cumprir ao menos dois quintos da pena para progredir para o regime semiaberto. Isso significa que seriam necessários pelo menos oito anos em regime fechado. 

Desse tempo, ela já cumpriu quatro anos e meio de prisão e teria cerca de mais um ano e meio de remissão, pelo trabalho realizado no cárcere. Com isso, ela ainda terá de cumprir pelo menos mais dois anos, antes de seguir para o semiaberto. 

De acordo com o advogado, sua cliente se mostrou feliz com o afastamento das duas qualificadoras, mas um pouco decepcionada com o tamanho da pena. 

Já Para o promotor de Justiça José Carlos Cosenzo, essa pena poderia ser pelo menos cinco anos maior. Ele disse que vai se reunir com o advogado da família, Luiz Flávio Borges D’Urso para estudar um possível recurso. 

“Pretendíamos que reconhecem o homicídio qualificado, que conseguimos, além da ocultação e a destruição de cadáver. Duas qualificadoras, por um voto, não foram reconhecidas. Foi um julgamento a meu ver muito justo. Ela merecia aquilo que a sociedade reconheceu”. 

Ele avalia que mesmo com um eventual recurso, a pena não seria muito maior. “É uma questão de analisar. Eu não estou satisfeito. O que nós dizíamos é que ela cometeu um crime hediondo. A meu ver a pena deveria ser no patamar de no mínimo 19 anos e no máximo 25. Mas foi uma boa decisão”. 

D’Urso disse que foi feita Justiça, na visão da família de Marcos. “Não para punir a Elize, mas para punir a sua conduta. Elize vai poder inclusive ver a Helena, sua filha, que hoje está com cinco anos”. Desde a prisão a mãe não voltou a ver a menina.

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